opinião

Mercado está tendo reação exagerada com Cielo, diz gestora

Ceticismo com a companhia é por conta da alta volatilidade de seus papéis

Por  Gabriella D'Andréa

SÃO PAULO – A G5 Evercore frisou em sua carta mensal do fundo Equities FIC FIA que a reação do mercado em relação à Cielo (CIEL3) esté sendo exagerada e reforçou seu interesse na empresa. De acordo com sua carta mensal aos cotistas, esse comportamento tem ocorrido devido à forte volatilidade que o papel da empresa tem enfrentado, com o maior número de concorrentes, principalmente da Redecard que agora é controlada pelo Itaú.

Outro fator que tem deixado muitos investidores em alerta é o risco regulatório, considerando que no próximo ano o Banco Central passará a regular o setor. Devido a esses fatores, o mercado tem especulado 3 possibilidades de ação do governo: a primeira é que ele pode impor tetos nas taxas de transação (MDR) de crédito e débito e no preço de aluguel dos equipamentos, na segunda ele poderia restringir o desconto de duplicatas dos varejistas e terceira seria reduzir o prazo de pagamento dos varejistas de 30 para 2 dias úteis.

“Não compartilhamos dessa posição, já que o intuito do governo é o aumento da competição e o estabelecimento de tetos iria contra essa estratégia porque inviabilizaria novos entrantes, uma vez que esse é um ótimo negócio de escala e qualquer novo competidor que procure rentabilidade precisará rentabilizar uma escala subótima cobrando maiores taxas de adesão até que o volume de transações pague o investimento inicial”, justifica a carta da G5.

Em relação à Redecard, a gestora afirma que o Itaú não deve subir o preço, já que essa ação poderia reduzir sua rentabilidade em um momento em que os bancos estão buscando maneiras de reduzir o ROE, sendo que o da Redecard está em 80%, ante 20% da instituição financeira.

Setor de cartões de pagamento
Diante desse cenário, a G5 ressalta que vê o setor com bons olhos, devido ao aumento do consumo, menor uso de cheques e dinheiro vivo, maior preferência dos comerciantes em reduzir riscos de crédito e possibilidade de novas formas de uso, forte geração de caixa (o que possibilita o pagamento de bons dividendos), estrutura de capital de baixíssimo risco, dentre outras vantagens.

No caso específico da Cielo, a expansão de seus negócios através do pagamento via celular, internet e a segmentação de marcas por nível de renda são pontos que contam a favor da escolha do papel. Também conta o fato da companhia ter como parceiros 3 dos maiores bancos brasileiros.

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