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SÃO PAULO – Médicos de todo o país protestam contra as condições impostas pelas operadoras de planos de saúde. Na última terça-feira, as entidades médicas divulgaram uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com propostas para que a situação seja resolvida. As reivindicações não são novas, visto que vêm sendo feitas desde 2000.
Médicos são coagidos a reduzir custos para os planos
Um dos problemas mais freqüentes diz respeito também à saúde do consumidor de plano de saúde. Acontece que, segundo a classe médica, os planos de saúde obrigam os médicos a baratearem o tratamento de seus pacientes.
Na prática, isto significa que um médico que esteja tratando de um paciente em estado grave e por este motivo é obrigado a solicitar uma série de exames sofisticados e, conseqüentemente, mais caros, corre o risco de sofrer punições por parte das operadoras, que vão desde o seu descredenciamento até a redução de seus honorários.
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Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
A forma mais comum utilizada pelas operadoras para que os médicos cumpram com determinadas metas estabelecidas por elas diz respeito à bonificação dos médicos. Embora seja uma medida um tanto quanto absurda, de acordo com as denúncias dos profissionais, os planos chegam a pagar 40% a mais para os médicos que cumprirem a meta de redução de custos com consultas e internações.
Entidades pedem regulamentação à ANS
Segundo o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Eleuses Vieira Paiva, a maioria dos médicos sofre algum tipo de intervenção da operadora em relação ao tratamento adotado com determinados pacientes.
Pedir exames demais pode ser o motivo derradeiro para um profissional ser descredenciado pelo plano, que alega gastar muito com os tratamentos adotados pelo profissional.
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Justamente para evitar que as operadoras continuem interferindo no tratamento dos pacientes, alegando redução de custos e não visando se o caso do paciente foi resolvido ou não, é que as entidades reivindicam para a Agência Nacional de Saúde (ANS) regule a relação entre os médicos e planos de saúde.
Honorário não é reajustado há oito anos
No que se refere ao valor da consulta pago pelas operadoras, os médicos reclamam que não há reajustes há cerca de oito anos.
Enquanto a AMB propõe uma remuneração média de R$ 42, os médicos recebem atualmente entre R$ 10 e R$ 35 pelas consultas. Pela proposta, a classe pede que os reajustes sejam garantidos sempre que a operadora aumentar a mensalidade do planos dos consumidores.
Procedimentos estão desatualizados
A lista de procedimentos utilizada pelas operadoras também está desatualizada. De acordo com Florisval Meinão, da Associação Paulista de Medicina (APM), as empresas utilizam a lista de 1992.
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Como estes procedimentos são utilizados como referência para que as empresas reconheçam os métodos diagnóstico e tratamentos a serem cobertos, sua desatualização significa que não se reconhece o que há de mais moderno em termos de tratamento, o que explica a reivindicação de que a lista seja constantemente atualizada.
A partir das denúncias feitas pelas entidades médicas do país, fica claro então que nem sempre o tratamento adotado pelo médico é o fundamental para o bem estar e recuperação do paciente. Isto é, não bastassem os altos custos das mensalidades de um plano renomado, o consumidor ainda não tem a garantia de que está sendo bem cuidado.