Matrícula: escolas não podem aplicar testes de admissão em ensino básico

Segundo advogada, pais que souberem que "vestibulinho" foi aplicado aos filhos devem reclamar no Ministério Público

Publicidade

SÃO PAULO – Algumas instituições particulares de ensino básico e fundamental cobram dos alunos que façam um teste para selecionar quais entrarão na escola. No entanto, segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), esta prática é ilegal.

De acordo com a advogada e coordenadora do serviço de orientação do Idec, Maíra Feltrin, o teste contraria regulamentação do Conselho Nacional de Educação, órgão vinculado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), que se fundamenta na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente. “Não é a melhor forma de avaliar as crianças porque elas não têm preparo para isso”.

Instituições

As instituições de ensino justificam o teste como um diagnóstico da situação do aluno, mas a atitude é criticada por educadores, que acreditam que a aplicação do exame pode causar traumas para as crianças que não conseguem ter desempenho bom.

Por isso, a Justiça Federal do Estado de São Paulo determinou que o Estado e a União devem comunicar as escolas que é proibida a aplicação do teste. “E propôs multa para quem desobedecesse de R$ 10.000 por dia”, disse Maíra.

Dia de vivência contraria CDC

Para driblarem pais, alunos e educadores, as escolas promovem dias de vivência no colégio e, ao final, aplicam o chamado “vestibulinho”. Segundo a advogada, esta prática de aplicar o teste sem que os pais saibam contraria o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). “Ele diz respeito às práticas comerciais abusivas contra pessoas que podem não ter discernimento da situação, como idosos e crianças”.

O artigo 39, inciso 4º, do CDC, diz que “é vedado ao fornecedor de produtos ou serviços prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços”.

Continua depois da publicidade

Recomendações aos pais

Quando imposto teste ao filho, os pais devem recorrer ao Ministério Público. “Muitas vezes não há provas concretas, mas podem levar o relato ao Ministério Público. Sobre o dia de vivência, pergunte se vai ter teste e peça que não seja feito de acordo com a regulamentação”, orientou Maíra.

Além desta recomendação, a advogada indica que os pais sempre coloquem os filhos em escolas conhecidas, tentem obter informações de outras pessoas, leiam o contrato atentamente e tirem todas as dúvidas e esclarecimento, que são direitos básicos do consumidor.

Ensino Médio

Testes aplicados no ensino médio e superior, para a advogada, são de natureza diferenciada. “A escola técnica precisa disso para saber se o aluno pode estudar na instituição. Além disso, o aluno sabe o que é o teste e se prepara, num nível diferente do que um aluno de seis ou sete anos”.