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Maternidade e responsabilidade financeira andam juntas: 4 dicas para mães provedoras

Mais de 41 milhões de domicílios têm mulheres como principais responsáveis financeiras, segundo levantamento com base no IBGE

Vitor Oliveira

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O crescimento do número de mulheres à frente do orçamento doméstico tem redefinido a dinâmica financeira das famílias brasileiras. Especialistas do setor de seguros afirmam que maternidade e responsabilidade financeira caminham cada vez mais juntas em um país onde milhões de mulheres acumulam as funções de cuidadoras, gestoras do lar e principais provedoras.

Levantamento da FGV (Fundação Getulio Vargas), com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que o Brasil já soma mais de 41 milhões de domicílios chefiados por mulheres. De cada cem lares brasileiros, 52 têm nelas a principal responsável financeira.

Segunda uma pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora de 2025, uma em cada três mulheres empreendedoras é mãe solo, sendo as principais e muitas vezes as únicas responsáveis pelo cuidado dos filhos e pela gestão do lar.

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Maior escolaridade feminina, mudanças no mercado de trabalho, programas sociais e transformações demográficas, como a queda da taxa de fecundidade, estão entre as razões para o crescimento.

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Na prática, esse novo cenário altera também a forma como famílias encaram riscos e imprevistos. Quando a principal provedora precisa interromper o trabalho por doença, acidente ou incapacidade temporária, o impacto tende a recair sobre toda a estrutura doméstica.

“Hoje, ela se reconhece como um dos pilares de sustentação da família e entende que garantir proteção financeira e acesso à saúde é essencial para trazer segurança e tranquilidade ao futuro dos filhos, independentemente do cenário.”

— diz Ana Luísa da Silva, gestora da unidade da Lojacorr Seguros em Florianópolis

Essa mudança aparece também no perfil das coberturas buscadas. Em vez de enxergar o seguro apenas como instrumento ligado ao falecimento, cresce o interesse por soluções voltadas a situações vividas em vida, como:

“Em termos gerais, mulheres costumam valorizar mais o propósito da proteção, enquanto homens, muitas vezes, respondem mais a números e retorno financeiro”, pontua Rosangela Duarte, gestora da unidade da Lojacorr Seguros no Pará.

Leia também: Seguros para mulheres: como as maiores seguradoras do país atendem o público feminino

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Dados internos da Azos, insurtech especializada em seguro de vida, indicam que as mulheres já representam 42% da base segurada da companhia. Entre elas, 40% estão na faixa entre 35 e 44 anos, período normalmente associado ao pico de responsabilidades familiares e profissionais.

As coberturas mais contratadas pelo público feminino da Azos são morte, invalidez e doenças graves. Também chama atenção o perfil dos beneficiários indicados. A maioria (42%) destina a proteção aos filhos ou netos. Em seguida vem cônjuges (24,5%), avós (16,1%) e irmãos (8,2%). Além disso, 23,6% dos beneficiários cadastrados por mulheres são menores de idade.

“São contratações com um perfil semelhante ao do público masculino, sendo a principal diferença as pessoas beneficiárias protegidas pelas mulheres.”

— diz Rafael Cló, CEO da Azos

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Entre os homens, a distribuição é mais concentrada, com 40% para filhos/netos e 40% para cônjuges, segundo dados da empresa. “A rede de proteção feminina é mais pulverizada, protegendo um círculo familiar mais amplo”, afirma Cló.

Na Favela Seguros, empresa voltada à democratização do acesso ao setor em comunidades, as mulheres também são maioria. Elas representam 62,11% da base de clientes. Segundo a companhia, entre elas há procura proporcionalmente maior por produtos voltados à proteção familiar.

“Elas contratam mais o produto Família Protegida, o que reforça uma preocupação com filhos, companheiros, pais e outros familiares que dependem delas no dia a dia. Já entre os homens, há uma contratação proporcionalmente maior do funeral individual.”

— conta Ronaldo Gama, head da Favela Seguros

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Planejamento ainda é desafio

Apesar do avanço da conscientização, especialistas afirmam que muitas famílias ainda cometem erros básicos de planejamento.

“Um dos principais erros é achar que seguro é só para morte, e ignorar invalidez, doenças graves e afastamento de renda”, diz Duarte, da Lojacorr.

Outro equívoco recorrente é não revisar o planejamento conforme a vida muda. Casamento, nascimento de filhos, separação, empreendedorismo ou troca de carreira alteram despesas, dependências e nível de proteção necessário.

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Rafael Cló, da Azos, ressalta que o brasileiro ainda concentra esforços apenas na acumulação de patrimônio, deixando em segundo plano a proteção da capacidade de gerar renda. Segundo ele, as duas frentes são complementares.

“A base de um planejamento financeiro sólido é a proteção do que está sendo construído. O brasileiro ainda peca ao não se preparar para a transferência patrimonial em caso de morte, ao não ter gestão de riscos de saúde em caso de doença ou acidente, e também erra ao subestimar o impacto da carga tributária na construção de patrimônio no longo prazo”, afirma.

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Veja 4 cuidados financeiros para mães provedoras

1. Planeje cenários em que sua renda precise parar, mesmo que temporariamente

Grande parte das famílias se prepara para emergências pontuais, mas poucas simulam o impacto financeiro de ficar semanas ou meses sem renda recorrente.

2. Tenha uma reserva de emergência

Em casos de afastamentos prolongados ou tratamentos de saúde mais complexos, contar com uma reserva de emergência é essencial. Para Rafael Caribé, CEO da empresa de contabilidade Agilize, o segredo é olhar para a reserva como parte de uma estratégia mais ampla de segurança financeira. 

“No caso de mães empreendedoras ou profissionais liberais, a reserva financeira pessoal e familiar precisa ser ainda maior, já que são atividades com mais riscos. Um bom planejamento financeiro e uma gestão de recursos que pense em médio e longo prazos também ajudam a trazer segurança, mesmo em momentos delicados por questões de saúde”, diz. 

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3. Revise seu planejamento sempre que sua estrutura familiar ou profissional mudar

Maternidade, transição de carreira, empreendedorismo e novos dependentes alteram completamente a dinâmica financeira da família e exigem atualização das estratégias de proteção e organização patrimonial.

4. Dê exemplo financeiro aos filhos

O planejamento financeiro das mães não se limita à proteção da renda no presente, ele também influencia diretamente a forma como os filhos vão lidar com o dinheiro no futuro.

No dia a dia, decisões simples, como definir limites de consumo, explicar escolhas ou envolver as crianças em pequenas decisões, já funcionam como ferramentas de aprendizado.

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