Maioria dos consumidores volta a cadastro de inadimplência após um ano

Dados da ACSP mostram que 55% deles são "reincluídos" no cadastro de inadimplência após 12 meses

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SÃO PAULO – A maioria dos consumidores volta a ter o nome incluído no cadastro de inadimplência um ano após ter sido retirado, segundo revelou pesquisa da ACSP (Associação Comercial de São Paulo). Os dados, divulgados nesta quinta-feira (20), mostraram que 55% deles tem o nome incluído novamente após o período. Em contraposição, apenas 11% das 900 pessoas consultadas voltaram a contrair dívidas depois de um mês da quitação de outra.

A pesquisa ainda mostrou que aproximadamente 20% dos consumidores quitam as dívidas até 10 dias depois de informados sobre possível inclusão no cadastro de inadimplência. “O SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) manda uma carta e depois de 10 dias inclui o nome do consumidor no cadastro de inadimplência, mas cerca de 20% deles quitam o débito antes”, afirmou Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Prazo e volume de dinheiro

Apesar da quantidade de pessoas que quita depois de 10 dias ser pequena, o volume de dinheiro que estes consumidores representam é alto, de 43% do total de dívidas dos consultados. Outros 17,6% pagam de 11 a 30 dias, com volume de dinheiro de 30%, de acordo com a tabela abaixo:

Tempo de pagamento Quantidade de consumidores representatividade em dinheiro
até 10 dias 20% 43%
de 11 a 30 dias 19% 30%
de 31 a 60 dias 8% 4%
de 61 a 90 dias 4% menor que 1%
de 91 a 180 dias 5% menor que 1%
acima de 180 dias 8% menor que 1%
ativos* 36% 23%

Fonte: ACSP; * pessoas que ainda possuem dívidas

Crédito

De acordo com o presidente da associação, Alencar Burti, o crescimento da economia este ano foi puxado, inicialmente, pelas exportações, que promoveram uma expansão do consumo doméstico via crédito. “O fenômeno deve ser visto com cuidado, para o consumidor não perder a dimensão da capacidade de pagamento do crédito”, afirmou.

Neste ano, a quantidade de CPFs (Cadastros de Pessoa Física) com consulta ao SCPC, que sinaliza as compras a prazo, foi 22 milhões maior do que no ano passado. “É a inclusão da população no mercado de crédito por causa das facilidades. São 35% novos consumidores em busca de compras a prazo”.