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SÃO PAULO – Nunca, na história deste País, se utilizaram tantos meios eletrônicos de pagamento. Foi parafraseando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, deu início à sua palestra, nesta quarta-feira (16), durante o 2º Congresso do Mercado Brasileiro de Meios Eletrônicos de Pagamentos (CMEP).
Com crescimento na ordem de 20% ao ano, a movimentação da indústria de cartões possibilita aos consumidores maior facilidade no consumo. Com a possibilidade do parcelamento das compras – que hoje já supera a metade de todas as transações efetuadas com o plástico de crédito – nasce, além do maior acesso a produtos, o endividamento. “Temos que ficar atentos ao esgotamento da capacidade de endividamento dos consumidores, o que pode aumentar a inadimplência”, lembrou o ex-ministro.
Crédito x inadimplência
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Por enquanto o cenário é benéfico. Pesquisa da Serasa mostrou que, enquanto de janeiro a agosto deste ano aumentou em 22% a liberação de crédito, o “calote” dos consumidores caiu algo em torno de 1%. Essas tendências divergentes foram explicadas pela instituição como resultado do alongamento dos prazos de pagamento – o que possibilita parcelas menores, que cabem no bolso dos compradores.
E a indústria de cartões mantém crescimento acelerado, abrindo possibilidade para a chegada de outros meios de pagamento – que, em um futuro próximo, terão como base os aparelhos celulares. De acordo com a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), são mais de 400 milhões de cartões – entre débito, crédito e private labels – em circulação no País. Os plásticos movimentaram mais de R$ 26 bilhões apenas em agosto.
Papel das empresas
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Furlan lembrou que as taxas de administração dos cartões devem ser revisadas, assim como as tarifas bancárias. “Estamos em um cenário de baixa inflação e de queda da Selic, é natural que haja essa redução”, afirmou.
Diante do cenário no qual cada vez mais consumidores, principalmente das classes C, D e E, são inseridos no mercado dos meios eletrônicos de pagamento e, ainda, respondem pelo crescimento da indústria, é papel dos empresários – na visão de Furlan – trabalhar para manutenção do círculo virtuoso. “Precisamos passar de um País do futuro para um País do presente”, finalizou.