Maior prazo de cheques pré-datados contribui para o aumento da inadimplência

Enquanto a inadimplência é de 2% para cheques de 30 dias ela aumenta para 10% nos cheques de 180 dias

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SÃO PAULO – Nas últimas semanas foram anunciados vários índices de inadimplência, independente da metodologia usada para o cálculo do índice, todos apontavam para a mesma tendência: um forte aumento da inadimplência no mês de janeiro deste ano. Já descontado o fato de que a inadimplência em geral aumenta em janeiro, devido ao maior número de contas que se acumulam no período, alguns especialistas atribuem ao aumento do prazo dos cheques pré-datados a alta acima do esperado da inadimplência de janeiro.

Inadimplência aumenta com o prazo do cheque

Nos últimos anos aumentou significativamente o volume de cheques pré-datados no país. Até dois atrás somente 50% dos cheques era pré-datado, percentual que aumentou para 70%. Não só aumentou o número de cheques pré-datados, como também aumentou o prazo concedido pelos vendedores aos compradores. Até pouco tempo atrás a maioria dos cheques pré-datados tinha um prazo de três meses, atualmente é comum encontrar cheques pré-datados de seis meses.

O grande problema é que a inadimplência aumenta à medida que aumenta o prazo dos cheques. Com o aumento dos pré-datados, o cheque deixou de ser um instrumento de pagamento à vista cujo risco de inadimplência era mínimo para se transformar em uma forma de financiamento do comércio para o consumidor.

Em pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) foi constatado que de cada mil cheques à vista apenas 2 são sem fundo, o que representa 0,2% de inadimplência. Já nos cheques a prazo, a inadimplência aumenta de acordo com o período de parcelamento. Nas compras a prazo de 30 dias, o risco de inadimplência é de 2,0%, nas compras a 90 dias passa para 3,0% e nas compras a 180 dias, a inadimplência aumenta para 10%, isto é, de cada mil cheques emitidos, 100 são reapresentados.
Comerciante deve ficar atento

Apesar dos altos níveis de inadimplência dos cheques pré-datados, a maioria dos comerciantes prefere manter a prática, isto porque a queda do poder aquisitivo da população fez com que os cheques pré-datados se transformassem em uma das modalidades de pagamento preferidas por parte do consumidor. Apesar dos vários serviços de proteção ao crédito existentes no mercado alguns comerciantes só utilizam estes serviços quando suspeitam do consumidor.
Contudo, esta prática não é defendida pelo vice-presidente do Sindicato dos Lojistas de São Paulo, Murad Salomão Saad, que acredita que o comerciante deva utilizar este serviço sempre que aceitar um cheque, principalmente se for pré-datado. Alguns comerciantes alertam para o fato que apesar de alguns cheques serem devolvidos eles acabam sendo aceitos na segunda apresentação. De acordo com dados divulgados pela ACSP e pelo Banco Central (BC) em janeiro foram re-apresentados 3.485.547 cheques no país, o que reflete um aumento de 25,5% frente ao mesmo período no ano passado. Diante do aumento da inadimplência de janeiro, muitos comerciantes já optaram por reduzir o prazo dos cheques pré-datados, dos atuais de seis meses para apenas quatro meses.
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