Maílson da Nóbrega: inadimplência subirá, mas não como em outras crises

Ex-ministro da Fazenda afirmou que, dessa vez, inflação não subiu, o que intensificaria aumento da inadimplência

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SÃO PAULO – A alta no desemprego deve aumentar a taxa de inadimplência no Brasil, mas não para níveis verificados em crises passadas, segundo afirmou o ex-ministro da Fazenda e sócio diretor da Tendências Consultoria, Maílson da Nóbrega.

“Tende a haver uma alta na inadimplência. Sempre que há um aumento do desemprego, queda de renda, isso faz com que muitos consumidores não tenham condições de cumprir suas obrigações”, disse Nóbrega nesta quarta-feira (15), durante palestra no Congresso Consumidor Moderno de Crédito, Cobrança e Meios de Pagamento.

Ele acrescentou que, desta vez, o aumento da inadimplência é diferente: “ela não está associada a um surto de inflação, e a inflação costuma ser um forte componente de corrosão do salário real do trabalhador. Então, embora o desemprego possa atingir 10% da força de trabalho, o efeito vai ser muito menor do que em outras crises. Jamais será semelhante ao que aconteceu no passado”.

Retomada

De acordo com o ex-ministro, a partir do segundo semestre já será possível analisar uma retomada da concessão de crédito no Brasil, mas não naquele patamar de antes da turbulência, o que demorará a acontecer.

“No segundo semestre, os sinais são cada vez mais claros de que o crédito começará a se normalizar, aquele direcionado ao consumidor voltará a crescer, os bancos estarão mais dispostos a conceder, estarão mais seguros, as incertezas serão menores e o consumidor tomará mais crédito”, explicou.

Concentração

Questionado sobre se a concentração bancária, causada pelas fusões, pode prejudicar de alguma forma o consumidor na tomada de crédito, num momento de recuperação da crise, Nóbrega disse que não.

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Em primeiro lugar, ele explicou que as fusões são naturais e que não há nenhum estudo que comprove que a concentração de crédito no Brasil reduz o nível de concorrência do sistema financeiro.

“A Tendências fez um estudo nesse sentido, mostrando que o Brasil tem um grau de concorrência, principalmente na área de crédito, que não é muito diferente de outros países avançados. E, portanto, a concentração dificilmente resultará numa redução da oferta de crédito, embora aqui e acolá, um cliente que tenha limite em dois bancos acaba sendo consolidado apenas em um”, comentou.

De acordo com ele, o ritmo de crescimento do crédito em dois dígitos já deve ser retomado em 2010 e 2011.