Luz, telefone e combustíveis elevam inadimplência do consumidor em outubro

Reajustes praticados "quebraram" o orçamento dos consumidores, que tiveram que priorizar o pagamento de contas

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SÃO PAULO – Pouco antes da chegada do Natal, a Serasa, através de seu Indicador de Inadimplência, revela que os consumidores não têm quitado seus débitos neste fim de ano. A inadimplência da pessoa física cresceu de forma significativa em outubro sobre o mês de setembro: 12,6%.

Analisando o comportamento da inadimplência na comparação com outubro do ano passado, o aumento é menor, de 8,3%. De janeiro a outubro de 2004, sobre o mesmo período acumulado no ano passado, o estudo apontou um pequeno crescimento de 1,6%, lembrando que, no confronto entre 2002 e 2003, a alta havia sido de 5,1%.

Para realizar o estudo, a Serasa leva em conta todas as modalidades de inadimplência da economia brasileira, como registros de cheques devolvidos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos, empresas do varejo,
cartões de crédito e financeiras.

Preços administrados puxaram o indicador

Mas a culpa não é dos consumidores. De acordo com a empresa, o aumento da inadimplência de pessoa física ocorreu, principalmente, em razão dos recentes reajustes de energia, telefonia e combustíveis. Juntos, os preços administrados “quebraram” o orçamento de muitas famílias no período, comprometendo a renda dos trabalhadores.

É fato que as ofertas de emprego aumentaram com o crescimento econômico do País, mas ainda não é possível notar os reflexos na renda do trabalhador. Além disso, os recentes reajustes da taxa básica de juros da economia, a Selic, encareceram as modalidades de crédito ao consumidor.

Cheques sem fundos são os campeões de inadimplência

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A exemplo do que vem sendo notado em pesquisas anteriores, os cheques sem fundos possuem a maior representatividade na inadimplência de consumidores.

Considerando o período acumulado de janeiro a outubro, a representatividade do total do indicador foi de 36%, mesmo percentual de 2003, que em 2002 foi de 37%. O valor médio das notações negativas foi de R$ 453 em outubro último.

Em segundo lugar, as dívidas no cartão de crédito e financeiras tiveram, no ano, a mesma representatividade verificada em igual período em 2003: 33% do total do indicador. Em 2002, esta participação havia sido maior, de 35%. Em média, as dívidas situaram-se no patamar de R$ 242 em outubro.

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Os registros de dívidas com os bancos representam a terceira maior participação no indicador, com 29%. O percentual é o mesmo que 2003 e maior que em 2002 (26%). Neste caso, o valor médio das notações foi de R$ 937.

Finalmente, os títulos protestados, cuja participação no indicador é a menor da pesquisa, apenas 2% em 2004, mantendo a representatividade verificada em 2003 e 2002, apresentaram notações médias de R$ 626.