Leilões virtuais: confira dicas e cuidados para se dar bem nesse mercado

Especialistas aconselham a ler bem os termos de uso e obter informações do site antes de se cadastrar

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SÃO PAULO – Depois da febre dos sites de compras coletivas, outro modelo de compra importado de países da Europa e Estados Unidos começa a fazer sucesso no Brasil. São os leilões virtuais, que atraem cada vez mais adeptos em busca de um produto novo por um preço muito abaixo do custo normal.

Para participar desses leilões, em primeiro lugar é necessário fazer um cadastro. Depois, o usuário compra seus créditos (cada “martelada” custa, em média, R$ 1 e equivale a um lance de, por exemplo, R$ 0,01). A partir daí, o internauta já pode fazer seus lances e torcer para arrematar o produto no tempo determinado.

Esse tempo é medido por um contador regressivo e pode variar de leilão para leilão. “Quanto mais pessoas participando do leilão, colocamos um tempo menor, para que não demore muito e fique chato para o usuário”, diz o diretor do site de leilões Bidy, Fernando Wolff.

Cuidados
Mas, antes de começar a participar dessas transações, especialistas recomendam que o usuário tome alguns cuidados para evitar problemas futuros, como os da analista de processos Tamiris Fabregat.

Depois de comprar créditos em um site de leilões virtual, ela afirma não ter conseguido dar lances no produto próximo do final da disputa. “É um absurdo, pois desta forma quem participa não tem a mínima chance de vencer o leilão”, protesta.

Além disso, Tamiris também reclama da demora para atualização do site. “O sistema é falho. Às vezes você participa de um leilão, aparece a informação de que ele foi finalizado, mas poucos minutos depois, quando a página é atualizada, volta a informação de “leilão em andamento”, reclama.

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Problemas
Para evitar esse tipo de insatisfação, os especialistas recomendam que, antes de fazer qualquer compra através dos leilões virtuais, o usuário faça uma pesquisa na internet, busque informações sobre clientes que já arremataram algum produto e se há muitas pessoas insatisfeitas.

“Quando o usuário se sente lesado, a primeira coisa que ele vai fazer é reclamar”, afirma o perito em crimes digitais Wanderson Castilho, da E-Net Security.

Prova disso é a quantidade de clientes que procuraram o site ReclameAqui. Segundo números do site, o banco de dados já possui 788 reclamações registradas contra os sites de leilões virtuais.

Mas, para os representantes dos sites de leilão, a maioria das reclamações poderia ser evitada com uma leitura atenta dos termos de uso.

“Grande parte dos usuários faz o cadastro e não se preocupa em ler todos os dados que estão no contrato de uso do site. Saber exatamente as características do leilão que você está participando é a primeiro passo para evitar qualquer problema”, diz o diretor do site Magnatta, Fernando Gouvêa.

Segurança
Além de pesquisar sobre a idoneidade dos sites antes de fazer o cadastro, os profissionais do mercado de segurança na internet também aconselham que o usuário tome outros cuidados básicos, como a verificação do cadeado de segurança na parte inferior da tela e se o endereço da página começa com “https”.

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“Isso garante que os dados do cliente irão trafegar de forma criptografada e não podem ser acessados por qualquer pessoa”, diz o diretor do site Blindado, Bernardo Carneiro.

O diretor do site Olho no Click, Guilherme Pizzini, também enfatiza a importância do usuário ler atentamente os termos de uso antes de se cadastrar, além de se atentar para outros sinais na página. “Os selos de segurança são um outro ponto importante, assim como as empresas parceiras, que devem ser de confiança. O tempo da empresa no mercado também deve ser analisado pelo cliente”, afirma.

Segundo ele, o site também disponibiliza um histórico dos clientes que efetuaram os últimos lances como forma de provar a veracidade das transações.

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Estratégia
Para Gouvêa, do Magnatta, a melhor maneira de se dar bem nesses leilões é adotando uma boa estratégia. “Esse tipo de site não deixa de ser um jogo. O mais importante é que o usuário saiba que esse é um jogo de estratégia e quem tiver a melhor tática vai levar a mercadoria”, afirma.

Além de estratégia, o administrador Tiago Ferreira da Silva recomenda persistência e sorte. Em pouco mais de 5 meses participando dos leilões, ele já arrematou dois netbooks, dois home theaters, uma televisão de LCD, um GPS, entre outros produtos.

“Nunca tive nenhum problema em relação aos produtos e nem com a entrega. Sempre recebi antes do prazo, inclusive”, garante.

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Diferencial
Com objetivo de se diferenciar no marcado, alguns sites já começam a dar outras opções aos usuários do leilão. No Bidy, o internauta também tem a opção de comprar o produto usando como desconto o valor dos lances efetuados. “Se o usuário não arrematar aquele item, ele pode utilizar o valor dos lances integralmente como desconto na compra do produto na loja que é nossa parceira”, diz  Fernando Wolff.

Com isso, o site pretende atrair um público diferente dos tradicionais usuários de leilão virtual. “Queremos pessoas que costumam comprar em sites de comércio eletrônico. Elas terão a opção de participar do leilão, arrematar o produto por um preço muito menor e, caso não consigam, podem comprar produto pelo valor normal”, afirma o diretor do site.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip