Juros dos financiamento de automóveis voltam a subir

Notícia não foi bem recebida pelas montadoras e concessionárias, que já encontravam dificuldades para vender seus estoques

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SÃO PAULO – Se você estava pensando em trocar de carro, ou mesmo comprar um novo, provavelmente terá que gastar mais do que pensava caso decida financiar o automóvel. Isso porque a ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) decidiu reajustar as tarifas para financiamento de carros.

A notícia também não foi bem recebida pelas próprias montadoras e concessionárias, que estão com os seus pátios lotados devido à queda das vendas dos últimos meses, decorrente do fraco crescimento da economia brasileira.

ANEF culpa turbulências no mercado financeiro

A ANEF atribuiu sua decisão de elevar as taxas de juros para financiamentos de automóveis à turbulência vivida no mercado financeiro no mês de junho. Além disso, a associação cita a elevação do compulsório sobre depósitos a prazo, de 10% para 15%, na medida em que os bancos dispõem agora de menos dinheiro para destinar aos financiamentos.

Finalmente, a ANEF ainda levou em conta o aumento do risco de inadimplência, que intensifica em períodos pelo qual a economia brasileira passa, caracterizado por fraco crescimento econômico aliado ao alto patamar atual dos juros.

No início de junho, era possível financiar um automóvel pagando juros de 2,10% ao mês. Porém, no decorrer do mês, as taxas avançaram para 2,20% ao mês, para então baterem os 2,40% ao mês nesta semana. Além disso, é possível encontrar taxas ainda maiores, dependendo do prazo do financiamento.

Financiamentos em 2 anos foram os mais reajustados

As taxas para o financiamento em 24 meses, o mais procurado, recebeu o maior aumento nos juros. Assim, o Banco Volkswagen aumentou as taxas cobradas nesta modalidade de financiamento de 2,09% para 2,59% ao mês. Já o consumidor que optar pelo financiamento em um ano, terá que amargar taxas da ordem de 2,40% ao mês, bastante superiores aos 2,15% cobrados no início de junho.

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Isso significa que, caso queira financiar em dois anos um carro cujo preço seja equivalente à R$ 20 mil, você terá desembolsado, ao final do período, cerca de R$ 37 mil, cerca de 12,8% a mais do que os R$ 32,8 mil que gastaria com a taxa antiga. Da mesma forma, o custo do financiamento do mesmo carro em um ano, aumentaria em cerca de R$ 1 mil, de R$ 25,8 mil para R$ 26,8 mil com a elevação dos juros.

Quem optar por financiar um carro Ford, também se assustará com as taxas cobradas. Em janeiro de 2002, era possível comprar um carro e pagar em 12 prestações à taxa de 1,8% ao mês. Porém, no mês de junho, dificilmente o consumidor encontrará juros inferiores a 2,5%.

Manutenção da Selic não influencia taxas

Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária optou por manter a taxa de juros da economia, em 18,5% ao ano, mas decidiu adotar um viés de baixa, o que sugere que a tendência para a taxa básica de juros é de queda.

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Apesar disto, a ANEF afirma que, mesmo que os juros venham a cair no próximo mês, as taxas cobradas nos financiamentos de carros não devem mudar, pois segundo o diretor executivo da ANEF, José Romélio Brasil Ribeiro, o setor de veículo trabalha com prazos mais longos, não sendo afetado no curto prazo por movimentações na Selic. Esta tendência é facilmente verificada se observarmos que desde o início do ano a taxa básica de juros já foi reduzida em 0,50 ponto percentual, caindo de 19% ao ano para 18,5% ao ano, e, mesmo assim, o custo dos financiamentos aos consumidores se manteve inalterado, acabando mesmo por aumentar nesta semana. Se por um lado os cortes nos juros demoram para serem repassados ao consumidor, por outro basta um sinal de instabilidade para que os bancos de montadoras optem pelo aumento do juros ao consumidor.