Juros do cheque especial voltam a subir em março

Depois de ficarem estáveis em 8,85% entre maio e outubro, os juros alcançam 9,41% ao mês em março, nível mais alto desde março de 2000

Publicidade

SÃO PAULO – O Procon-SP divulgou nesta terça-feira (18/3) os resultados da pesquisa sobre as taxas de juros bancárias referentes ao início do mês de março, realizada nos dias 6 e 7 de março. Em resposta ao aumento da taxa básica de juros, a Selic, que em fevereiro subiu um ponto percentual para 26,5% ao ano, os juros dos empréstimos pessoais voltaram a subir no início deste mês.

A expectativa para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa nesta terça-feira (18/03), é de que a Selic seja mantida no patamar atual, uma vez que a maioria dos índices de inflação deram sinais de recuo em março.

No total, treze instituições financeiras fizeram parte da pesquisa: Banco Bilbao Viscaya Brasil-BBV, Banco do Brasil, Banespa, BCN, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Mercantil de São Paulo, Nossa Caixa Nosso Banco, Real, Santander e Unibanco.

Juros do cheque especial voltam a subir

Mais uma vez os juros do cheque especial subiram, segundo o levantamento do Procon. Mantendo a tendência de alta registrada desde o início deste ano, os juros cobrados no cheque especial subiram 31 pontos base ao passar de 9,13% ao mês em fevereiro para 9,44% em março.

Depois de ficarem estáveis entre maio e outubro do ano passado em 8,85% ao mês, os juros subiram pelo terceiro mês seguido, atingindo seu nível mais elevado desde março de 2000, quando a taxa média era de cerca de 9,5% ao mês.

Segundo o levantamento, metade dos bancos pesquisados aumentaram os juros cobrados no cheque especial, enquanto nos demais casos as taxas permaneceram inalteradas, já que nenhuma instituição optou pela redução dos juros.

Continua depois da publicidade

Um dos maiores aumentos foi registrado pelo BCN, que no mês anterior dividia a liderança do ranking das instituições com maior taxa do cheque especial com o Itaú ao cobrar uma taxa mensal de 9,80% ao mês no cheque especial. Em março o BCN aumentou esta taxa em 60 pontos base, de forma que passou a cobrar 10,40% ao mês no cheque especial.

Apesar disto o maior aumento da taxa ficou com a Nossa Caixa, que passou a cobrar 8,85% ao mês pelo cheque especial, depois de ter ficado meses oferecendo a taxa mais barata do mercado, de 7,95% ao mês. Outras instituições que registrarem fortes aumentos nas taxas cobradas foram o Bradesco, cuja taxa subiu 70 pontos base para 9,70%; e o Mercantil de São Paulo, cuja taxa aumentou 61 pontos base para 9,71%.

Juros bancários também subiram

Depois de registrarem um modesto recuo em fevereiro, as taxas de juros cobradas nos empréstimos pessoais bancários subiram de 5,98% ao mês em fevereiro para 6,10% em março, um aumento de 13 pontos base. Este é o maior patamar dos juros dos empréstimos bancários desde abril de 1999, época após a maxi-desvalorização do real, em que o juro dessa modalidade de empréstimo era de 6,25% ao mês.

Continua depois da publicidade

A pesquisa avaliou as taxas cobradas nos empréstimos pessoais com prazo de contrato de até 12 meses e nos cheques especiais num período de 30 dias. Os dados levantados pelo Procon só levaram em consideração as taxas máximas pré-fixadas cobradas dos clientes (pessoa física) não preferenciais.

Dentre os bancos analisados, a maior taxa de empréstimo pessoal continua sendo a do Itaú, que desde janeiro de 2002 mantém sua taxa em 6,95% ao mês. Da mesma forma, a Nossa Caixa seguiu oferecendo a melhor taxa, cobrando apenas 3,95% pelo mesmo tipo de financiamento.

Os maiores aumentos foram registrados, respectivamente, pelo Unibanco, cujos juros subiram 40 pontos base para 6,90% ao mês, em seguida ficou o Bradesco, com um aumento de 30 pontos base para 6,40%, e o BCN cuja taxa aumentou 28 pontos base para 6,40% ao mês.

Continua depois da publicidade

Juros devem permanecer elevados

Apesar da inflação ter dado sinais de recuo, a maior probabilidade de um conflito no Oriente Médio impede que o Banco Central adote uma postura mais agressiva com relação ao patamar dos juros básicos da economia, que devem ficar estáveis na reunião desta semana.

Além disto, os bancos tendem a demorar mais para repassar redução nas taxas de juros do que para repassar aumentos, desta forma, o consumidor deve evitar novos empréstimos, pois é provável que os juros permaneçam elevados pelo menos neste primeiro semestre. Uma redução mais acentuada dos juros ao consumidor somente quando a inadimplência der sinais claros de recuo e as reformas prometidas pelo atual governo saírem do papel.