Juros caem para consumidor em março, diz BC

Queda de juros de financiamentos é compensada por redução ainda mais acentuada dos juros pagos nas aplicações financeiras, o que aumenta spread bancário

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SÃO PAULO – Os juros médios cobrados nos empréstimos de pessoa física caíram no mês de março, passando de 4,64% ao mês em fevereiro para 4,61% em março. Os números fazem parte do relatório do Banco Central publicado nesta quarta-feira (24/04), que acompanha as taxas de juros médias para as principais modalidades de financiamento para indivíduos e empresas.

Juros caem, mas spread aumenta

O grande problema é que, apesar da queda nos juros, o spread bancário das operações com pessoa física aumentou. Isto porque a redução nos juros cobrados nos financiamentos foi compensada por uma queda ainda maior nos juros pagos pelas aplicações financeiras para pessoa física. Se os juros de empréstimos caíram 0,03 ponto percentual em março, os juros pagos nas aplicações baixaram de 1,50% ao mês em fevereiro para 1,42% em março, uma queda de 0,08 ponto percentual.

O spread bancário mede a diferença entre as taxas médias que os bancos pagam pelo dinheiro que você aplica com eles, seja através de CDBs ou outros tipos de depósitos, e o quanto cobram nos seus financiamentos. Este é o quarto mês consecutivo que o spread bancário para pessoas físicas aumenta. Depois de cair em janeiro para 3,49%, em dezembro de 2001, o spread subiu 0,14 ponto percentual para 3,63% em março.

Juros do cheque especial caem

Também caíram os juros cobrados nas operações dos cheques especiais cujas taxas em março voltam a cair depois de ter subido em fevereiro. Em março, as taxas do cheque especial ficaram em 159,56% ao ano, ou 8,27% ao mês, em baixa com relação à taxa de fevereiro quando os juros ficaram em 160,35% ao ano, ou 8,30% ao mês.

Apesar da queda nos altos juros cobrados, as operações com cheque especial caíram 0,32% em março, ficando em R$ 9,013 bilhões, o que responde por 12% do volume total de financiamentos levantados por pessoas físicas. A má notícia fica por conta do crescimento do percentual de operações em atraso, que passou de 12,2% para 12,4%, ocorrido devido ao aumento das operações em atraso por mais de 90 dias.

Empréstimos pessoais ficam estáveis

Em contrapartida, as operações com crédito pessoal registraram um aumento no volume de operações de 3,24% em março, alcançando a marca de R$ 24,478 bilhões, ou o equivalente a 33% do total de financiamentos para pessoas físicas. Depois de cair em janeiro e fevereiro, os juros desta modalidade de financiamento ficaram praticamente estáveis em março, em 5,20% ao mês.

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A estabilidade dos juros das operações de crédito pessoal não surpreende, visto que, nos últimos meses, houve forte queda dos juros desta modalidade de financiamento, passando de 5,46% em outubro passado para os atuais 5,20%. Diante disto, muitos consumidores acabaram optando por esta modalidade de financiamento, em detrimento do cheque especial.

Esta tendência se verifica ao compararmos a taxa de crescimento das operações de crédito pessoal entre outubro e fevereiro, que ficou em 6,56% frente a uma queda de 2,12% nas operações com cheque especial. No final de março, o volume total das operações de crédito pessoal respondia por 33% do total dos financiamentos à pessoa física.

Financiamento de carro mais barato

A maior queda nos juros, dentre as modalidades de financiamento para pessoa física, ficou com as operações de compra de automóveis, cujos juros caíram de 2,96% em fevereiro para 2,89% em março.

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Apesar da forte queda os juros cobrados nos financiamentos de automóveis estão muito longe dos 0% apregoado por algumas montadoras, por isto é preciso cuidado na hora de contratar este tipo de financiamento, que em média tem duração muito mais longa que as demais modalidades discutidas acima.

Com R$ 26,209 bilhões esta é a maior modalidade de financiamento para pessoas físicas, respondendo por 35,5% do volume total emprestado. Ao que tudo indica a redução dos juros e fortes campanhas publicitárias têm surtido efeito, visto que depois de permanecerem estáveis em fevereiro, o volume de financiamentos de autos cresceu 1,86% no mês de março.