Juros ao consumidor voltam a subir em novembro

Diante deste cenário o melhor é evitar compras financiadas até que os juros retomem sua tendência de queda

Publicidade

SÃO PAULO – Apesar de terem ensaiado uma retração no mês de outubro, os juros médios ao consumidor voltaram a subir em novembro, passando de 7,99% ao mês para 8,03% ao mês. Em outubro, os juros haviam caído de 8,11% para 7,99%, voltando aos patamares cobrados em julho de 2001. Os dados são publicados mensalmente pela Anefac, Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade.

Prazo de financiamento aumenta

Com o aumento de novembro, os juros médios de 2001 também subiram, passando de 7,79% em outubro para 7,81% em novembro. Em contrapartida, depois de se manterem por sete meses seguidos, os prazos médios de financiamento aumentaram pela primeira vez desde dezembro de 1999. O prazo para financiamento de veículos aumentou de 22 para 24 meses, voltando aos níveis de abril de 2001, enquanto o prazo para os demais financiamentos passou de 9 para 10 meses, em linha com o que foi registrado em maio deste ano.

Juros de crediário caem

Contrariando a tendência de alta do mês, os juros do crediário caíram cerca de 5 pontos base passando de 6,79% em outubro para 6,74% em novembro. Esta representa a quarta retração nos juros de crediário desde julho deste ano. Com isto, os juros médios voltam aos níveis de fevereiro, quando estavam em 6,76% ao mês.

De acordo com o levantamento da Anefac a maior retração ocorreu entre as grandes redes de varejo, cujos juros de crediário passaram de 5,78% em outubro para 5,72% em novembro. Também recuaram os juros de crediário cobrados na compra de celulares, que caíram 7 pontos base passando para 5,99% ao mês. A queda nos juros de crediário só não foi maior porque os juros de financiamento de veículos caíram apenas 4 pontos base, passando para 3,17% ao mês.

Juros de CDC voltam a cair

Nos financiamentos bancários, somente as taxas de CDC (Crédito Direto ao Consumidor) caíram, passando de 4,10% para 4,06% entre outubro e novembro, seu nível mais baixo desde maio deste ano, quando eram de 4,03%. Estes financiamentos beneficiam-se de juros mais baixos devido ao fato de estarem associados à compra de um bem, que acaba funcionando como garantia do próprio financiamento reduzindo os riscos para o banco, e conseqüentemente os custos para o consumidor. Já as taxas de empréstimos pessoais junto a bancos voltaram a subir, ficando em 5,18% no mês de novembro. Nestes níveis o custo do empréstimo pessoal volta aos níveis de setembro (+5,19%), que foi o mais alto do ano de 2001.

Juros junto a financeiras voltam a subir

Responsáveis pelos maiores juros cobrados ao consumidor, as financeiras passaram a cobrar mais caro para emprestar dinheiro em novembro. Depois de recuarem em outubro 48 pontos base, os juros médios cobrados pelas financeiras voltam a subir alcançando 11,81% ao mês. Com exceção do mês de setembro, quando diante de um possível aumento na inadimplência as financeiras aumentaram os juros para 12% ao mês, este é o nível mais elevado de todo o ano de 2001.

Continua depois da publicidade

Os juros das financeiras são mais elevados do que os cobrados nas demais modalidades de financiamento porque atendem à população que não tem acesso a outro tipo de financiamento, devido ao histórico de crédito, ou mesmo devido à renda disponível. Desta forma, os altos níveis de inadimplência acabam sendo compensados pela cobrança de juros mais elevados.

Cheque especial fica mais caro

Em compensação os bancos aproveitaram a proximidade do final de ano, em que muitos consumidores utilizam o cheque especial para efetuar suas compras de Natal, para aumentar os juros. Os juros médios de cheque especial aumentaram de 9,89% em outubro para 9,92% em novembro. Este é o oitavo aumento nos juros médios cobrados no cheque especial, que passaram de 9,42% em março para os atuais 9,92%.

Já os juros do cartão de crédito se mantiveram em 10,46% depois de caírem no mês de outubro. Nestes níveis os juros voltam aos patamares de junho de 2001, quando os juros médios no cartão eram de 10,47%. Apesar disso, os juros destas modalidades de financiamento, que estão entre as preferidas do consumidor, ainda continuam abusivos, ficando atrás apenas dos juros das financeiras.

Continua depois da publicidade

Tendência é de manutenção

Contrariando a expectativa do mercado de que os juros ao consumidor poderiam voltar a cair em novembro, antecipando uma possível redução da taxa básica da economia, eles voltaram a subir. Contudo, diante da melhora na situação econômica do país durante o mês de dezembro acredita-se que na pior das hipóteses os juros devam se manter nos patamares atuais nos próximos meses.

Diante deste cenário o melhor é evitar compras financiadas até que os juros retomem sua tendência de queda, o que só deve acontecer quando o Banco Central reduzir a taxa básica de juros da economia. Infelizmente o BC tem se mostrado excessivamente cauteloso quanto a isto, de forma que é possível que uma redução só venha a acontecer no final do primeiro trimestre de 2002.