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SÃO PAULO – Os juros médios cobrados nas operações de crédito ao consumidor voltaram a subir em janeiro. No mês passado a taxa média cobrada neste tipo de financiamento ficou em 8,49% ao mês, 15 pontos base acima do patamar registrado em dezembro, quando a taxa caiu para 8,34% ao mês. Os dados são publicados mensalmente pela Anefac, Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade.
Juros bancários subiram forte
Seguindo a mesma tendência, os juros dos empréstimos bancários, isto é, dos empréstimos pessoais, ou dos chamados créditos direto ao consumidor (CDC) voltaram a subir de forma significativa, depois de recuarem no mês de dezembro.
O maior aumento ficou com os empréstimos pessoais junto a bancos, cujas taxas subiram 38 pontos base, de 5,39% ao mês em dezembro para 5,77% em janeiro, exatamente meio ponto percentual acima do nível registrado em janeiro do ano passado, quando a taxa estava em 5,27% ao mês.
As taxas dos CDCs também subiram forte, saindo de 4,57% ao mês em dezembro para 4,80% em janeiro, um aumento de 23 pontos base. A taxa atingiu seu nível mais alto nos últimos 12 meses, visto que em janeiro do ano passado estava em 3,99%, cerca de 81 pontos base menor.
Ainda assim, estas duas modalidades de financiamento oferecem juros mais baixos do que as demais modalidades de crédito ao consumidor, visto que, em geral, as restrições para a obtenção do crédito são maiores. As taxas dos CDCs são mais baixas devido ao fato de estarem associados à compra de um bem, que acaba funcionando como garantia do próprio financiamento, reduzindo os riscos para o banco, e conseqüentemente, os custos para o consumidor.
Juros de financeiras estão em quase 13%
O destaque em termos de aumento no mês de janeiro certamente ficou com os empréstimos junto a financeiras que, depois de recuarem em dezembro, registraram um dos maiores aumentos dentre todas as modalidades de crédito ao consumidor que são acompanhadas pela Anefac.
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Responsáveis pelos maiores juros cobrados ao consumidor durante todo o ano passado, as financeiras subiram os juros em 14 pontos base, passando de 12,79% para 12,93% ao mês. Com isto, os juros atingem seu patamar mais elevado nos últimos 12 meses, uma vez que em janeiro de 2002 ainda estavam em 11,89% ao mês.
Os juros das financeiras são mais elevados do que os cobrados nas demais modalidades de financiamento porque atendem à população que não tem acesso a outras alternativas, devido ao histórico de crédito, ou mesmo devido à renda disponível. Desta forma, os altos níveis de inadimplência acabam sendo compensados pela cobrança de juros mais elevados.
Taxas do cheque especial e cartão sobem
Em janeiro os bancos voltaram a subir os juros do cheque especial, que, pelo segundo mês consecutivo, fica acima dos 10%. Em janeiro os juros de cheque especial subiram cinco pontos base para 10,60% ao mês, superando, inclusive, o patamar em que se encontravam em janeiro do ano passado, quando os juros estavam em 9,87% ao mês.
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Da mesma forma, os juros do cartão de crédito também subiram de forma menos acentuada, cerca de seis pontos percentuais, com a taxa alcançando o patamar de 10,60% ao mês.
Apesar disso, os juros destas modalidades de financiamento, que estão entre as preferidas do consumidor, ainda continuam abusivos, ficando atrás apenas dos juros das financeiras.
Juros devem permanecer elevados
Ao que tudo indica, o aumento dos juros bancários é reflexo da alta da taxa básica da economia, a Selic, que voltou a subir no final de dezembro e em janeiro, alcançando o patamar de 25,5% ao ano, isto depois de ter subido três pontos percentuais em outubro. O aumento da taxa de juros reflete a manutenção da inflação, principalmente no varejo, em um patamar elevado neste início de ano.
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Desta forma, mesmo com os juros subindo em termos nominais, eles caíram em termos reais, isto é, depois de descontada a inflação. Nos 12 meses terminados em dezembro, a inflação medida pelo IPCA estava em 12,53%, de forma que os juros reais estavam em 12,47%. Já em janeiro, a inflação acumulada em 12 meses subiu para 14,47%, de forma que os juros reais caíram para 11,03%.
Como as primeiras prévias da inflação de fevereiro sugerem que a inflação permanece elevada, mesmo depois dos aumentos dos juros, devido, sobretudo, à alta do dólar decorrente do risco de conflito no Oriente Médio, é bem provável que na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para a próxima semana, os juros básicos da economia pelo menos se mantenham no patamar em que estão no momento.
Ainda que os juros básicos retomem sua trajetória de queda no início do próximo ano, o mais provável é que o repasse ao consumidor desta redução seja mais lento, como, aliás, aconteceu nos últimos anos.
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