Juros ao consumidor permanecem praticamente estáveis em fevereiro

Já o spread bancário que mede a diferença entre o que o banco paga pelo seus investimentos e o quanto cobra dos empréstimos subiu

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SÃO PAULO – Os juros nos empréstimos para pessoas físicas ficaram praticamente estáveis no mês de fevereiro. Esta é a tendência que se verifica no relatório do Banco Central publicado nesta quarta-feira, que acompanha as taxas de juros médias para as principais modalidades de financiamento para indivíduos e empresas.

Juros do cheque especial aumentam

A exceção fica por conta dos juros nos cheques especiais cujas taxas subiram em fevereiro. Depois de cair por dois meses consecutivos, entre novembro e janeiro, elas voltaram a subir no mês passado, alcançando 160,35% ao ano, o que implica em uma taxa média mensal de 8,30%. Apesar dos altos juros cobrados, o volume de operações com cheque especial aumentou 2,75% entre janeiro e fevereiro deste ano, ficando em R$ 9 bilhões.

Empréstimos pessoais mais baratos

Em contrapartida, os juros das operações de crédito pessoal caíram entre janeiro e fevereiro deste ano. Esta queda sugere que os bancos e financeiras podem ter se antecipado aos cortes de juros que aconteceram no final de fevereiro e março, respectivamente. Com isto, a taxa anualizada deste tipo de operação se encontra em 83,68%, ou cerca de 5,20% ao mês.

Esta é a modalidade na qual os juros mais caíram nos últimos meses, passando de 89,17% em outubro passado para os atuais 83,68%. Diante disto, muitos consumidores acabaram optando por esta modalidade de financiamento, em detrimento do cheque especial. Esta tendência se verifica ao compararmos a taxa de crescimento das operações de crédito pessoal entre outubro e fevereiro, que ficou em 3,22% frente a uma queda de 1,81% nas operações com cheque especial. O volume total das operações de crédito pessoal era de R$ 23,708 bilhões no final de fevereiro.

Spread bancário sobe

Apesar das taxas de juros dos financiamentos terem ficado praticamente estáveis, o spread bancário subiu. O spread bancário mede a diferença entre as taxas médias que os bancos pagam pelo dinheiro que você aplica com eles, seja através de CDBs ou outros tipos de depósitos, e o quanto cobram nos seus financiamentos. Para as pessoas físicas este spread aumentou ligeiramente em fevereiro, passando de 52,78% ao ano para 52,88% ao ano.

Já para as empresas o spread caiu, passando de 25,32% para 25,16% ao ano, o que sugere que os bancos estão mais preparados para reduzir as taxas dos empréstimos para as empresas do que para o consumidor, refletindo a maior inadimplência entre os consumidores do que entre as empresas. O spread cobrado das empresas tem registrado queda constante desde outubro do ano passado, passando de 26,17% naquele mês para os atuais 25,16%. Por outro lado, o spread dos consumidores, que chegou a cair por dois meses consecutivos fechando dezembro em 50,99%, voltaram a subir em 2002 com o aumento da inadimplência.