Juros ao consumidor ficam estáveis em março

De acordo com a Anefac os juros médios ao consumidor estão em 7,92% ao mês; financeiras e bancos aumentaram juros dos empréstimos pessoais

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SÃO PAULO – Depois de ensaiarem uma retração em fevereiro, quando caíram de 8,03% em janeiro para 7,91%, os juros médios ao consumidor se mantiveram praticamente estáveis no mês de março, ficando em 7,92%. Os dados são publicados mensalmente pela Anefac, Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade.

Juros de financeiras voltam a subir

Responsáveis pelos maiores juros cobrados ao consumidor, as financeiras passaram a cobrar ainda mais caro para emprestar dinheiro em março. Depois de caírem em fevereiro, passando de 11,89% para 11,53%, os juros cobrados pelas financeiras voltam a subir, desta vez para 11,63%.

Os juros das financeiras são mais elevados do que os cobrados nas demais modalidades de financiamento porque atendem à população que não tem acesso a outro tipo de financiamento, devido ao histórico de crédito, ou mesmo devido à renda disponível. Desta forma, os altos níveis de inadimplência acabam sendo compensados pela cobrança de juros mais elevados.

Empréstimo pessoal fica mais caro, mas CDC cai

Depois de registrarem forte retração em fevereiro, caindo de 5,27% para 5,08%, com o anúncio de corte da taxa básica da economia, os juros bancários voltaram a subir em março, fechando em 5,11%.

Ainda com relação aos financiamentos bancários, as taxas de CDC (Crédito Direto ao Consumidor) voltam a cair, passando de 3,83% para 3,79% entre fevereiro e março, seu nível mais baixo desde março do ano passado, quando a taxa média era de 3,75%. Esta é a sétima redução nos juros de CDC nos últimos doze meses. Estes financiamentos beneficiam-se de juros mais baixos devido ao fato de estarem associados à compra de um bem, que acaba funcionando como garantia do próprio financiamento, reduzindo os riscos para o banco, e conseqüentemente os custos para o consumidor.

Cheque especial e cartão de crédito permanecem estáveis

Em março os bancos mantiveram inalterados os juros do cheque especial, revertendo a tendência de queda iniciada em novembro do ano passado, quando os juros ainda eram de 9,92% ao mês. No final de março os juros de cheque especial foram de 9,87%, nível em que se mantém desde janeiro, voltando aos níveis de agosto do ano passado.

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Da mesma forma, os juros do cartão de crédito se mantiveram estáveis em 10,47%. Apesar disso, os juros destas modalidades de financiamento, que está entre as preferidas do consumidor, ainda continuam abusivos, ficando atrás apenas dos juros das financeiras.

Queda deve ser mais moderada

Depois de dois cortes consecutivos nos juros no início do ano, o Banco Central deve adotar uma estratégia mais cautelosa com relação a novos cortes na taxa básica de juros, que ainda segue extremamente elevada em 18,50% ao ano. O agravamento dos conflitos no Oriente Médio fez com que a cotação do petróleo disparasse no mercado internacional, forçando sucessivos reajustes no preço da gasolina. Estes aumentos já puderam ser sentidos nos índices de inflação de março, que ficaram acima das expectativas do mercado.
Apesar de já ter anunciado que sua única meta não é o controle inflacionário, o BC deve aguardar a situação internacional se estabilizar antes de promover novos cortes. Como o repasse para o consumidor é ainda mais lento e a inadimplência ainda preocupa, os juros ao consumidor devem permanecer elevados.
Com juros médios em 7,92% ao mês, o custo anual de um financiamento está em quase 150% ao ano, isto significa que para cada R$ 1 que você levanta em financiamento está pagando R$ 1,50 em juros em um ano. Não é preciso entender muito de finanças para perceber que o melhor é evitar financiamentos, pelo menos até os juros retomarem sua tendência de queda.