Juros ao consumidor caem mais que a Selic e atingem 7,75% em dezembro

Dados da Anefac confirmam tendência declinante dos juros ao consumidor; financeiras foram as que mais reduziram suas taxas

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SÃO PAULO – A Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) divulgou nesta última terça-feira dia, 13 de janeiro de 2004, seu relatório mensal contendo os dados referentes às taxas cobradas nas operações de financiamento de pessoa física no mês de dezembro.

Juros ao consumidor registraram forte recuo no mês

Com base no levantamento, pode-se constatar que a taxa média de juros cobrada nos financiamentos à pessoa física caiu 29 pontos base no último mês de dezembro.
Com isto, a taxa média de juros passou de 8,04% em novembro para 7,75% em dezembro, refletindo os efeitos dos sucessivos cortes na Selic.

Dessa maneira, a queda da taxa média de juros ao consumidor foi bem maior do que a redução da taxa básica de juro no mesmo período, uma vez que a Selic passou de um patamar de 1,35% ao mês em novembro para 1,28% ao mês em dezembro, o que representa uma queda de 7 pontos base nesta comparação.

Por sua vez, com relação à taxa média registrada no mesmo período do ano passado, houve um recuo de 59 pontos base, uma vez que em dezembro de 2003 a taxa média era de 8,34% ao mês. Nesta comparação, a queda dos juros ao consumidor também é, na média, inferior à redução de 60 pontos base da Selic em igual período, uma vez que em dezembro de 2002 esta encontrava-se no patamar de 1,87% ao mês.

Queda foi maior nas operações das financeiras

A tabela abaixo inclui a taxa média mensal cobrada nas seis modalidades de financiamento ao consumidor
acompanhadas pela Anefac, para os dois últimos meses, assim como a taxa no mesmo período do ano passado e sua
variação em pontos base no período.

Tipo de Financiamento Dez/02(%) Nov/03(%) Dez/03(%) Var. Mês* Var. Ano**
Crediário 6,64 6,17 6,14 -3 -50
Cartão 10,13 10,36 10,35 -1 22
Cheque Especial 10,54 8,75 8,64 -11 -190
CDC Bco
4,57 3,70 3,39 -31 -118
Empr. Pessoal 5,39 6,08 5,86 -22 47
Financeira 12,79 13,20 12,14 -106 -65
Taxa Média 8,34 8,04 7,75 -29 -59
*Variação em pontos base de dezembro sobre o mês de novembro
**Variação em pontos base de dezembro de 2003 sobre dezembro de 2002

Como podemos constatar na tabela acima, o maior recuo em termos de taxa média foi registrado entre as operações das financeiras, cuja taxa recuou 106 pontos base em relação ao mês de novembro, quando a taxa estava em 13,20% ao mês. Vale destacar que este é o menor patamar atingido por esta modalidade de crédito ao consumidor desde julho de 2002, quando a taxa cobrada pelas financeiras era de 12,0% ao mês.

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Outro destaque ficou com as taxas cobradas no cheque especial, que passaram, de acordo com os dados da Anefac, de 8,75% ao mês em novembro para 8,64% ao mês em dezembro, o que corresponde a uma queda de 11 pontos base no período. Dessa maneira, o cheque especial confirma o seu menor patamar desde janeiro de 1995, data em que a pesquisa da Anefac teve início.

Empréstimo Pessoal registrou maior alta em 12 meses

Na comparação das taxas médias cobradas nas várias modalidades de financiamento à pessoa física acompanhadas pela Anefac, o maior aumento com relação a
dezembro do ano passado foi registrado nas operações de Empréstimo Pessoal. Na época, estas operações cobravam juros médios de 5,39% ao mês, cerca de 47 pontos base abaixo da taxa atual.

Em sentido contrário, ficaram as operações de Cheque Especial, cujas taxas caíram 190 pontos base no mesmo período e passaram de 10,54% ao mês para 8,64% ao mês. Cabe destacar que a queda da taxa cobrada no cheque especial ficou bastante acima da redução da taxa básica de juro no mesmo período.

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Queda dos juros ainda depende de menor inadimplência

Com o Copom (Comitê de Política Monetária) dando sinais de que promoverá cortes de menor intensidade em suas próximas reuniões, os juros ao consumidor devem registrar quedas também menores ao longo dos próximos meses. Neste sentido, vale destacar que se tornará cada vez mais importante a trajetória da inadimplência da pessoa física, sendo que esta, por sua vez, guarda uma relação direta com o crescimento econômico.

Considerando-se, assim, as projeções do mercado, que apontam para um crescimento de 3,60% do PIB (Produto Interno Bruto) do país em 2004, espera-se que a inadimplência continue em trajetória de queda, como vem ocorrendo recentemente, de acordo com os dados do Banco Central. Caso esta perspectiva se confirme, então teremos um maior espaço para novas reduções dos juros ao consumidor.