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SÃO PAULO – O governo do Japão está estudando a idéia de mudar a política de imigração, extinguindo o visto especial para descendentes de japoneses e a renovação quase que automática do documento, o que está preocupando os estrangeiros residentes no país.
Segundo as propostas analisadas pelo comitê liderado pelo Ministro da Justiça, Taro Kono, será exigido certo nível de conhecimento da língua japonesa para os trabalhadores que quiserem entrar no país. Além disso, quem quiser renovar seu visto precisará comprovar emprego estável.
Exigência de conhecimento do japonês
A comunidade brasileira residente no Japão, que é atualmente composta por aproximadamente 286 mil pessoas, está agitada com a possibilidade de alteração das leis. Segundo Maria Helena Uyeda, presidente da ABD (Associação Brasileira de Dekasseguis), a exigência da língua é um dos fatores que mais assustam.
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Ela explica que a requisição é uma forma de garantir que haja maior interatividade entre a comunidade estrangeira e a local. Mas o que deixa os imigrantes apreensivos é a necessidade de passarem por um teste de proficiência.
No entanto, Uyeda recomenda que, em vez de entrar em pânico, a melhor coisa é aproveitar enquanto o governo analisa as propostas para estudar o japonês. “Não será em vão”, argumenta. Além de realmente proporcionar mais interação com os japoneses, o conhecimento será aproveitado mais tarde, quando o dekassegui tiver de passar por um exame para renovar o visto.
Estabilidade no emprego
Outro ponto que está causando preocupação é a possível exigência de um emprego estável para poder continuar no país. Segundo Glória Hamasaki da ABD, que dá assistência para os dekasseguis lá e aqui, os brasileiros não têm propriamente estabilidade por lá. “Eles trabalham com contrato. Se cair a produção (nas fábricas) e acabar o trabalho, a situação pode ficar difícil”.
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A possibilidade de as empresas terem de equiparar os salários de japoneses e estrangeiros e de bancarem parte dos custos de integração social deles, por sua vez, já não causa preocupação.
Hamasaki diz que, como o país tem necessidade de mão-de-obra estrangeira, as oportunidades para os brasileiros deverão permanecer estáveis, independentemente das novas responsabilidades que as companhias possam vir a ter.