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SÃO PAULO – Dada a inflação maior do que a esperada do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de junho, economistas apontam os fatores para justificar tal diferença no resultado divulgado.
O índice no período mostrou uma variação positiva de 0,36%, abaixo do 0,47% visto em maio; porém, acima da mediana das projeções do relatório Focus (+0,31%).
Em um consenso, as altas inesperadas nos segmentos de Alimentação & Bebidas e Artigos de Residência foram as principais responsáveis pelo patamar alcançado. Segundo a equipe da LCA, a alta de 0,05% para 0,84% na passagem mensal dos artigos de residência foi “o principal promotor de desvios entre as projeções de mercado e o resultado efetivo”.
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Complementando, os analistas do Banco Fator e da Rosenberg & Associados destacam neste segmento a influência do subgrupo Mobiliário, que subiu de 1,69% em maio para 2,55% em junho, refletindo “o retorno do crédito”. Já os bens da linha branca apresentaram menor deflação, indo de -2,58% para -0,99%, devido ao menor efeito da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Vale destacar que o Banco Fator, a Rosenberg & Associados e a LCA esperavam para o mês uma inflação levemente abaixo do número apresentado – todos projetavam variação positiva de 0,33%.
Já para o setor de alimentação e bebidas, a alta de 0,44% para 0,70% na passagem mensal ocorreu principalmente pelo forte avanço visto nos preços do leite e de seus derivados, que avançaram 1,55 ponto percentual, indo a 7,01%. Altas do frango e do açúcar também foram destacadas em consenso.
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Descompressão
Apesar dos segmentos alimentício e mobiliário terem mostrado drástica variação positiva, a descompressão do IPCA foi favorecida pela forte queda dos grupos Despesas Pessoais, Vestuário, Saúde e Habitação.
O primeiro grupo citado sofreu uma forte redução, indo de 1,57% para 0,49% no mês, impactado principalmente pela “diluição dos impactos oriundos dos aumentos nos preços dos cigarros”, analisa a LCA. Devido a isso, esse subgrupo passou de uma inflação de 9,21% em maio para uma deflação de 0,28 em junho.
O segmento de vestuário sentiu as interrupções das pressões sazonais observadas em maio. Já o setor de saúde sente a menor pressão advinda dos reajustes no preço dos medicamentos, que contemplaram uma redução na inflação de 1 ponto percentual, indo a 0,33%.
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Por fim, a alta do segmento de habitação, puxada pela diminuição do aluguel residencial, que caiu de +0,78% para +0,52%, também foi um dos fatores determinantes para conduzir o IPCA a diminuir sua inflação na passagem mensal.
Perspectivas divergem
Para o final do ano, as expectativas do resultado acumulado do índice de preços não apontam senso comum dentre os analistas. Enquanto a LCA espera algo em torno dos 4,5% ao final de 2009, o Santander acredita que o resultado seja de 5%.
Já o Banco Fator espera que, para os próximos meses, com o fim das entressafras que afetam o grupo alimentício e das influencias dos reajustes de impostos, a inflação deva ser bem menor do que a atual.