O sol é para todos?

Instalação de painéis solares no país tem alta demanda por financiamento; conheça quais linhas de crédito cabem no seu bolso

Levantamento do InfoMoney localizou taxas de juros que começam a partir de 0,89% ao mês e prazos de pagamentos que podem atingir até 12 anos

Por  Dhiego Maia -

Nos dez primeiros meses deste ano, o país registrou 450 mil novas instalações de painéis fotovoltaicos e atingiu 800 mil unidades consumidoras com esse tipo de energia — limpa e sustentável, segundo a Absolar (entidade do setor).

O apetite pela geração de energia a partir da fonte solar vem sendo sustentado, em grande parte, pelos financiamentos.

De acordo com a Greener, empresa baseada em São Paulo que pesquisa o mercado fotovoltaico, pouco mais da metade (54%) dos investimentos recentes em instalação de painéis e geração de energia solar no país foram realizados a partir de crédito contratado em instituições financeiras.

A mesma Greener diz que micro e pequenos consumidores respondem por 74% das tomadas de crédito na aquisição do sistema. “Mas é preciso evoluir”, diz Márcio Takata, CEO da companhia de pesquisa. “As linhas precisam estar mais familiarizadas com a realidade para que mais gente, de todas as condições econômicas, tenham acesso ao sistema”.

Empresários do setor dizem que a taxa paga nos financiamentos acaba compensando devido ao aumento das tarifas cobradas pelas concessionárias de energia.

Segundo o último IPCA-15 (Índice de Preços do Consumidor Amplo), do IBGE, o preço da energia elétrica acumula alta de 24,97% em 2021. Esse patamar foi atingido por causa da crise hídrica que vem impactando os reservatórios das hidrelétricas.

Para Tiago Sarneski, da Entec Solar, empresa que desenvolve tecnologia para a geração de energia solar, os financiamentos duram, em média, cinco anos. “Depois desse período, o consumidor não tem mais nem os reajustes da conta de luz e nem os juros do financiamento”, salienta.

Levantamento feito pelo InfoMoney junto aos bancos e instituições financeiras localizou diversas linhas de crédito que podem ser usadas na aquisição de sistemas fotovoltaicos tanto para pessoas físicas como para empresas.

Vale ficar atento se as taxas, o tempo de financiamento contratado e a carência fazem sentido para sua casa ou seu negócio, informam os bancos ouvidos pela reportagem.

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O Santander possui linhas de crédito para financiar projetos sustentáveis desde 2017. Até outubro deste ano, o banco diz ter liberado cerca de R$ 4 bilhões para o custeio de sistemas fotovoltaicos — um crescimento de 80% em relação ao mesmo período do ano passado.

“O aumento das buscas [por financiamento] neste ano se deu de uma maneira mais intensa entre pessoas físicas, com quatro vezes mais demanda do que no ano passado. São clientes interessados na troca da conta de energia convencional pela parcela do financiamento”, diz o Santander ao InfoMoney.

O Santander diz financiar 100% dos projetos, com parcelamento em até 96 vezes, taxas a partir de 0,89% ao mês e carência de 120 dias para o pagamento da primeira parcela.

“O prazo [da carência] é suficiente para a instalação e aprovação do projeto pela concessionária, de forma que a parcela do financiamento somente passe a valer após a redução da conta de energia”, afirma o Santander.

O Banco do Brasil lançou, em maio deste ano, uma linha de crédito específica para a aquisição de sistemas de geração solar em residências, que pode financiar até 100% dos equipamentos, incluindo a instalação.

painéis solares

O parcelamento alcança 60 meses, e o tomador do crédito tem até 180 dias para pagar a primeira parcela. “O valor contratado varia entre R$ 5 mil e R$ 100 mil”, afirma o Banco do Brasil. “A contratação é 100% digital e pode ser feita no app do banco. A aquisição dos materiais e a montagem do projeto devem ocorrer com fornecedores que tenham convênio com o BB — já são mais de três mil parceiros contratados”.

Outra modalidade disponível no BB desde 2018 é o consórcio. Não há juros, nem IOF [imposto cobrado sobre qualquer tipo de operação de crédito] e tampouco taxa de adesão. “A modalidade tem baixo custo, prazos flexíveis de até 120 meses e pagamento facilitado”, afirma o BB.

No primeiro semestre deste ano, o consórcio atingiu um volume contratado de R$ 9,3 bilhões, alta de 50,97% em relação ao mesmo período do ano passado.

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O BB explica que no consórcio os valores cobrados são referentes a taxa de administração e fundo reserva. “Os percentuais de fundo reserva e taxa de administração praticados pelo consórcio, considerando grupos em formação, são a partir de 0,025% e 0,1% ao mês, respectivamente”.

O BB também possui linhas específicas para a implantação de micro e mini usinas geradoras de energias renováveis (biomassa, eólica e energia solar). Estas são voltadas para fazendas e pequenos empreendimentos rurais.

A Caixa Econômica Federal anunciou, em novembro, suas linhas de financiamento para painéis fotovoltaicos. O crédito para as residências começa com taxas a partir de 1,17% e pode abarcar até 100% do projeto, limitado à capacidade financeira do cliente.

O prazo de pagamento é de até 60 meses, com carência de seis meses para o vencimento da primeira parcela. O crédito, diz a Caixa, é oferecido em duas modalidades: sem garantias ou com caução de aplicações financeiras de renda fixa.

Para as empresas, a linha de crédito da Caixa também financia até 100% dos projetos, com seis meses de carência e até 54 meses de amortização, o que totaliza 60 meses para a liquidação do empréstimo.

“A linha de crédito possui taxas de juros a partir de 1,09%. Para a segurança do investimento, é feita a alienação fiduciária [garantia de pagamento] dos próprios bens financiados, que devem ser segurados com apólices com cobertura total de danos físicos”, explica a Caixa.

O Sicoob detém, há três anos, linha de crédito para “fomentar a economia de energia e a sustentabilidade de seus cooperados”, afirma. As taxas começam a partir de 0,91% ao mês, com carência de até 90 dias para começar a pagar, com prazo máximo de quitação em até 72 meses.

A linha financia o orçamento e a mão de obra para a instalação. O tomador do crédito deve “apresentar o orçamento do equipamento e da mão de obra; o equipamento fica alienado à cooperativa, que pode exigir garantias adicionais”.

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No Banco do Nordeste, empresários e produtores rurais podem levar até 12 anos para pagar um financiamento para instalação de painéis solares, com carência de até seis meses.

Para residências, o prazo de financiamento pode chegar a até oito anos, já incluída a carência de seis meses. O limite de financiamento é de até R$ 100 mil, por projeto. A taxa de juros para as duas modalidades varia entre 0,9% e 1,1% ao mês.

No “Meu Financiamento Solar”, fintech de crédito para energia solar, o tomador de crédito também consegue financiar até 100% dos projetos, com parcelamento em até 84 vezes e carência de 30 a 120 dias para começar a pagar.

Os valores dos projetos variam entre até R$ 500 mil, para pessoas físicas; e no máximo R$ 3 milhões, para pessoas jurídicas. “Hoje, 48% dos nossos clientes têm renda inferior a R$ 5 mil. É uma mostra de que os sistemas fotovoltaicos estão se popularizando no Brasil”, diz Carolina Reis, diretora comercial do “Meu Financiamento Solar”.

O parcelamento estendido, de até 120 meses, foi a forma encontrada pela fintech para ampliar a oferta de crédito a mais gente. “O nosso cliente [principalmente o empresariado] percebeu que, com o passar do tempo, consegue igualar ou até deixar a parcela inferior ao que ele paga na conta de luz”, explica Reis.

A taxa de juros começa com 0,98% ao mês, para quem consegue dar entrada de 50% do projeto e financia o restante em até 24 parcelas, e pode atingir o teto máximo de 1,75% ao mês. “A nossa taxa era menor, mas precisou ser reajustada por causa da alta da Selic”, conta Reis.

Toda a operação é executada pelas cerca de 22 mil empresas de instalação espalhadas em todas as regiões do país, que fazem a ponte entre o cliente e a fintech de crédito solar.

Segurança jurídica

Operadores de energia apontam como um dos principais propulsores da energia solar no país o projeto de lei 5829/19, que institui o marco legal da microgeração e minigeração distribuída.

O texto da iniciativa foi aprovado nesta quinta-feira (15) pelo Senado com modificações e, por isso, voltará à Câmara dos Deputados para ser novamente analisado.

Guilherme Suteras, coordenador da Absolar, já havia dito ao InfoMoney que o projeto de lei trará mais segurança jurídica ao setor. “O que temos hoje é basicamente uma resolução normativa, de 2012, da Aneel sobre o tema”, afirma.

A entidade estima que o marco legal da geração de energia distribuída poderá gerar R$ 173 bilhões com a queda de custos aos consumidores até 2050.

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