Inês Magalhães, da Caixa: impacto na isenção do IR no imobiliário não pode virar bet

Magalhães destacou uma priorização da capacidade de pagamento na análise de crédito do banco estatal

Maria Luiza Dourado

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Para muitos analistas, a habitação é um dos setores que mais podem se beneficiar com a disponibilização de renda que a Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil – expectativa essa que foi relativizada por Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa, durante um evento de Real Estate que aconteceu na manhã desta terça-feira, 20.

“Acho que o nosso esforço é para que isso não vire ‘bet’. Acho que tem um trabalho de educação que todos nós temos que implementar para que a isenção vire investimento – e investimento na casa própria é um mote muito fácil de vendermos”, avaliou.

Segundo um levantamento recente da M4 Intelligence, a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e os descontos graduais para quem ganha até R$ 7.350 devem proporcionar R$ 40 bilhões por ano de rendimentos adicionais aos trabalhadores beneficiados, que têm alta propensão ao consumo. Ainda assim, não está claro qual porcentagem desse montante deve ser direcionada à habitação.

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Apesar das expectativas de incremento de renda disponível nas famílias a partir de 2026, Magalhães destacou uma priorização da capacidade de pagamento na análise de crédito do banco estatal. Segundo a executiva, o modelo de análise de risco da Caixa já foi ajustado para levar mais em conta a capacidade do indivíduo de pagar do que sua renda. “Nossa modelagem e as consultas feitas nos birôs de mercado vão no sentido de perceber qual e a capacidade de pagar esse tomador, para termos um cliente que consiga pagar as prestações”, disse.

Maria Luiza Dourado

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.