Inadimplência subiu para 8,4% em fevereiro

Inadimplência nos empréstimos para pessoa física é de 15,1%, já entre empresas é de apenas 4,5%; inadimplência é maior nos CDCs, onde atinge 20,2%

Publicidade

SÃO PAULO – De acordo com o relatório do Banco Central, a inadimplência na carteira de crédito com recursos livres, isto é, que exclui operações com recursos direcionados através de concessões para crédito de habitação ou rural ou através de repasses de recursos de agências de fomento, como o BNDES, voltou a subir, ainda que de forma modesta no segundo mês deste ano.

No final de fevereiro, o volume total de créditos com recursos livres foi de R$ 215,3 bilhões, dos quais R$ 78,9 bilhões (ou 36,6%) para pessoas físicas e os R$ 136,4 bilhões restantes para as empresas. Do total de recursos destinados às empresas, cerca de 45%, ou R$ 61 bilhões, são empréstimos pós-fixados, que expõe as empresas a novos aumentos da taxa básica de juros.

Segundo o BC, em fevereiro a taxa de inadimplência da carteira de crédito com recursos livres, subiu para 8,4%. Depois de se manter estável em 8% em novembro e dezembro do ano passado, a taxa subiu para 8,2% em janeiro e no mês passado para 8,4%. Ainda assim, em relação à taxa de fevereiro de 2002, houve um recuo de 0,3 ponto percentual, já que na época a inadimplência estava em 8,7%.

Inadimplência subiu

No segmento de pessoa física, o volume de operações em atraso manteve sua trajetória de alta registrada entre outubro e fevereiro deste ano. Assim sendo, a taxa de inadimplência subiu de 14,8% em outubro para 15,1% em fevereiro. Apesar disto, a taxa continua abaixo daquela registrada em maio do ano passado, quando a taxa atingiu seu nível mais alto no ano, ao ficar em 15,9%.

Já no que se refere às operações de crédito junto às empresas, a inadimplência subiu ligeiramente passando de 4,3% para 4,5%, atingindo seu nível mais elevado desde junho do ano passado, quando a taxa estava em 4,8%. Ao contrário do que aconteceu com a inadimplência entre as pessoas físicas, que registrou forte aumento desde janeiro de 2001, subindo de 11,5% para os atuais 15,1%, a inadimplência entre empresas caiu neste mesmo período, baixando de 6,8% em janeiro de 2001 para os atuais 4,5%.

Inadimplência é maior nos CDCs

Dentre as várias modalidades de empréstimos à pessoa física, a maior taxa de inadimplência ficou com as operações de aquisição de bens, com 20,2% de inadimplência.

Continua depois da publicidade

Em seguida ficaram as operações de crédito pessoal, com 14,1%; o financiamento de automóveis, com 11,4%; e o cheque especial, com 10,2%. O maior aumento da inadimplência foi registrado nos concessões de financiamentos de automóveis cuja taxa subiu de 10,5% em janeiro para 11,4% em fevereiro.

No caso dos financiamentos de compras de bens, que incluem basicamente os CDCs (Crédito Direto ao Consumidor) para compra de eletrônicos e linha branca, 11,6% das operações estão com atraso de mais de 90 dias, enquanto 8,6% destas operações estão com atraso de 15 a 90 dias.

Em termos totais, cerca de 15,1% das operações de crédito para pessoa física estão com atraso, das quais 8,1% estão em atraso de mais de 90 dias e 7% com atraso entre 15 a 90 dias.

Continua depois da publicidade

Prazos caíram modestamente

Não houve grandes mudanças no prazo de concessões médio dos créditos ao consumidor, que ficou em 303 dias cinco dias a menos da média de janeiro. O maior recuo ficou entre as operações de compra de bens que não automóveis cujo prazo médio caiu em oito dias ficando em 160 dias, pouco mais de cinco meses.

Em contrapartida, o prazo médio dos cartões caiu em 18 dias nos últimos 12 meses ficando em cerca de 28 dias em fevereiro deste ano, apenas dois dias a menos do que o prazo médio registrado em janeiro. Também registraram recuo de dois dias no prazo médio as operações de crédito ao consumidor, cujo prazo em fevereiro ficou em 209 dias. Finalmente, as operações com cheque especial não sofreram alterações nos prazos, que permaneceram sendo de 21 dias.