Inadimplência subiu para 6,1% em janeiro, diz ACSP

Ideal é que inadimplência não supere 5%, mas abaixo de 15% ela não chega a preocupar; acima de 8% inadimplência pressiona juros criando círculo vicioso

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SÃO PAULO – Em resposta ao forte aumento da taxa de juros desde a segunda metade do ano passado, como indica a elevação de 7,5 pontos percentuais da taxa básica de juros, a Selic, que no período subiu de 18% ao ano para 25,5% ao ano, a inadimplência entre pessoas físicas subiu, ainda que de forma modesta, em janeiro.

A afirmação foi dada pelo presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, que confirmou que depois de meses de queda a inadimplência teria subido em relação aos níveis registrados em janeiro do ano passado.

Inadimplência caiu forte desde 2001

Burti afirmou que tanto o número de novos registros recebidos, ou seja, novos inadimplentes, como os registros cancelados, ou seja, os que quitaram suas dívidas, aumentou em relação a janeiro de 2002. Em decorrência desta tendência, a inadimplência líquida ficou em 6,1% em janeiro deste ano, ou seja, a cada 100 negócios 6,1 ficaram sem pagamento.

Em janeiro do ano passado, a taxa de inadimplência era de 5,4%, sendo que há dois anos atrás ela era ainda maior de 9,6%. A forte queda da inadimplência em relação aos níveis registrados no início de 2001, sugere que o forte aumento dos juros praticado nos últimos dois anos, período em que as taxas subiram mais de dez pontos percentuais, acabou levando as instituições financeiras a adotarem uma postura mais conservadora na concessão de novos financiamentos, o que teria contribuído para a queda da inadimplência. Da mesma forma, os consumidores teriam evitado, quando possível, levantar novos créditos diante da forte elevação das taxas.

Acima de 15% inadimplência preocupa

Na opinião de Burti, o nível atual de inadimplência não chega a preocupar e pode ser visto como razoável, enquanto taxas acima de 15% devem ser vistas com mais cautela.

O economista lembra que taxas assim foram alcançadas logo após a maxi-desvalorização do real em abril de 1999, quando a inadimplência atingiu 20,2%. Inadimplência neste nível significa que alguns comerciantes irão enfrentar dificuldades financeiras, podendo, inclusive, fechar as portas.

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Idealmente o certo é que a inadimplência fique abaixo dos 5%, mas é possível trabalhar com taxas até 8%. O grande problema é que taxas acima de 5% pressionam os juros, o que compromete o crescimento da economia e leva a formação de um circulo vicioso.

Se os juros não caírem de forma significativa, e não houver uma expansão no volume de concessão de créditos durante o ano de 2003, o presidente da ACSP acredita que alguns pequenos comerciantes poderão enfrentar sérias dificuldades financeiras.