Inadimplência sobe menos durante governo Lula que no final da gestão FHC

Indicador apurado pela Serasa revela aumento de 10,9% nos dois últimos anos; taxa foi de 55% no biênio anterior

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SÃO PAULO – A inadimplência total de pessoas físicas e jurídicas subiu 10,9% nos dois primeiros anos do governo Lula, taxa de expansão que é bem inferior à elevação de 55,2% verificada no índice durante os dois últimos anos do mandato de Fernando Henrique Cardoso.

Divulgado pela Serasa nesta terça-feira (22), o indicador de inadimplência engloba registro de cheques devolvidos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos, cartões de crédito e financeiras.

Alta é pequena entre pessoas jurídicas

Ao se considerar apenas a inadimplência das empresas, o crescimento ao longo de 2003 e 2004 ficou apenas em 3,2%, taxa bem mais modesta que os 30% registrados no biênio 2001 e 2002, período em que houve queda na atividade econômica brasileira devido ao racionamento de energia e ao temor do risco político durante as eleições presidenciais.

De acordo com documento divulgado pela Serasa, a melhora no indicador é conseqüência do aquecimento do mercado exportador, em especial o relacionado ao agronegócio. O bom desempenho do setor ampliou a geração de recursos, o que possibilitou a administração mais equilibrada dos orçamentos das empresas.

Com resultados positivos, as companhias exportadoras acabaram beneficiando também outros segmentos da economia, numa típica reação em cadeia.

A maior causa de atraso ou não pagamento de dívidas das empresas foram os títulos protestados, que tiveram participação de 46,5% no total da inadimplência de pessoas jurídicas. Na seqüência aparecem os cheques se fundos, que responderam por 38%.

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Cheque sem fundo é mais comum entre os consumidores

Já a inadimplência de pessoas físicas cresceu 15,2% nos primeiros anos do governo Lula, contra 57,7% de expansão nos dois anos anteriores. Esta taxa é superior à verificada entre as empresas porque o processo de recuperação econômica favoreceu primeiro o ambiente corporativo, e só na seqüência começou a beneficiar os trabalhadores, com aumento de contratações e ligeira melhora na folha de pagamentos.

Os cheques sem fundos representaram 35,5% da inadimplência nos dois últimos anos. Em segundo lugar ficou a falta de pagamento de faturas de cartões de crédito e financeiras, com 33,5% do total.