Inadimplência permanece estável em 8,8% em julho, revela BC

Inadimplência atinge 15,2% nos financiamentos para pessoas físicas; enquanto nas operações com empresas é de apenas 4,7%

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SÃO PAULO – De acordo com o relatório mensal do Banco Central publicado nesta terça-feira, dia 26, a inadimplência na carteira de crédito com recursos livres, ou seja, aqueles concedidos com recursos das próprias instituições, e não com base nos recursos captados no mercado, como depósitos, ficou estável em julho desse ano, atingindo 8,8% do total da carteira.

Nesse sentido, a inadimplência permanece no seu nível mais alto já registrado em 2003. Além disso, em relação ao patamar registrado em julho do ano passado houve uma deterioração da inadimplência, pois na época a inadimplência média era de 8,2%.

Inadimplência entre pessoas físicas caiu para 15,2%

No segmento de pessoa física, o volume de operações em atraso registrou leve recuo nesse mês de julho para 15,2% frente aos 15,5% apurados no mês anterior, mas ficou praticamente estável em relação ao nível registrado no mesmo período do ano passado, quando estava em 15,3%.

Por sua vez, a inadimplência nas operações de crédito junto às empresas ficou estável no mês de julho em relação ao registrado em junho deste ano, ao alcançar 4,7% da carteira de crédito. Em relação a julho do ano passado houve uma ligeira piora, já que na época a inadimplência era de 4,3% da carteira.

Apesar da estabilidade dos últimos meses, os números do BC revelaram uma deterioração nas carteiras de créditos com recursos livres desde o início do ano, tanto no segmento de pessoa física quanto no de empresas. Em janeiro desse ano, a inadimplência entre pessoa física estava em 14,7%, enquanto o volume de operações em atrasos entre empresas estava em torno de 4,0%. Assim sendo, em termos gerais a inadimplência registrou elevação de 0,9 ponto percentual desde janeiro desse ano, quando estava em 7,9%.

Entre indivíduos atrasos se concentram nos CDCs

Dentre as várias modalidades de empréstimos à pessoa física, a maior inadimplência ficou com as operações de aquisição de bens, com 22,2% de inadimplência, um ligeiro recuo em relação a junho quando estava em 22,6%.

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Sendo assim, a inadimplência nos financiamentos de compras de bens, que incluem basicamente os CDCs (Crédito Direto ao Consumidor) para compra de eletrônicos e linha branca, atingiu 13% com atraso superior a 90 dias, e 9,2% no caso das operações com atraso entre 15 a 90 dias.

Seguindo a mesma tendência, a inadimplência entre as operações de crédito pessoal caiu 0,30 ponto percentual para 14,4%, a de financiamento de automóveis caiu 0,30 p.p. para 11,9% e finalmente, a de cheque especial para 10,2%.

Em termos totais, cerca de 7,9% das operações de crédito para pessoa física estão com atraso superior a 90 dias frente a 7,8% em junho desse ano. Por outro lado, as operações em atraso de 15 a 90 dias, representam cerca de 7,3% do total de empréstimos a pessoa física, acima dos 7,7% apurados em junho.
Inadimplência das empresas é maior no hot money

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Por sua vez, entre as empresas, a inadimplência é maior nas operações de hot money onde 8,9% das operações estão com atraso. O que mais impressiona nestas linhas é que apenas 7,9% destas operações estão com atraso superior a 90 dias enquanto apenas 1% está com atraso de 15 a 90 dias.

Em seguida ficaram as operações de capital de giro, cuja inadimplência total é de 7,7%, dos quais 3,8% das operações estão com atraso entre 15 e 90 dias e 3,9% com atraso superior a 90 dias. Nas demais linhas de curto prazo, como as operações de conta garantida ou desconto de duplicatas e desconto de promissórias a inadimplência é mais baixa de, respectivamente, 3,8%, 4,7% e 5,2%.

Os menores índices de inadimplência entre empresas foram registrados nas operações de adiantamento de contrato de câmbio e repasse externo, onde apenas 1,3% e 1,5%, respectivamente, das operações apresentavam algum tipo de atraso.