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SÃO PAULO – Mesmo com retração de 4,60%, a taxa de inadimplência nas universidades privadas tem sido muito alta. Enquanto a taxa para pessoas físicas chegou a 5,70% no final de 2010, nas instituições de ensino superior privado, ela atingiu 9,58%.
Embora tenha altos índices, a inadimplência dos alunos já não é mais os principal vilão das instituições privadas, mas, sim, a falta de financiamentos públicos. “O governo deveria prover mais financiamentos, pois, se observarmos outros países, como os Estados Unidos, por exemplo, ultrapassa 50% o número de alunos com financiamento público nas universidades privadas”, explica o presidente da consultoria Hoper Educação, Ryon Braga.
Lei do calote
De acordo com Braga, para driblar os altos índices de inadimplência, as universidades passaram a trabalhar com novos sistemas de pagamento, como o financiamento próprio da instituição, contratação de empresas especializadas em cobrança e mudança no regime de renovação de contratos. “Muitas universidades alteraram o regime anual por semestral. Com isso, para continuar estudando, o aluno precisa pagar ou negociar o que está devendo”, explica
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Segundo o presidente, com o regime anual, mesmo que o aluno pagasse apenas uma mensalidade, poderia continuar estudando, mesmo que estivesse inadimplente. Com o regime semestral, é possível combater a inadimplência, ao menos por seis meses.
Preços x alunos
Nos últimos dez anos, as universidades privadas repassaram anualmente todos os gastos para os alunos, inclusive a inflação, porém, de acordo com Braga, novas instituições foram abertas, com cursos muito baratos, “A partir de 2010 esse panorama mudou, o setor perdeu o fôlego para continuar mantendo os preços baixos. Com esse cenário, muitas dessas universidades tiveram que fechar suas portas”, completa.
De acordo com o presidente, as universidades já estão começando a repassar a inflação novamente para os alunos. “Com esse repasse, o crescimento que o setor teve com alunos das classes C e D pode se estabilizar”, explica.