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SÃO PAULO – De acordo com o relatório mensal do Banco Central publicado nesta terça-feira, dia 28, a inadimplência na carteira de crédito com recursos livres, ou seja, aqueles concedidos com recursos das próprias instituições e não com recursos direcionados, voltou a subir em setembro.
Depois de ficar estável por dois meses em 8,8%, seu nível mais alto registrado em 2003, a inadimplência, que havia caído em julho (8,7%) e agosto (8,5%), voltou a subir em setembro para 8,7%. Com relação ao patamar registrado em setembro do ano passado houve uma forte deterioração da inadimplência, uma vez que na época a inadimplência média era de 7,9%.
Inadimplência entre pessoas físicas caiu
Pelo segundo mês consecutivo desde fevereiro deste ano, a inadimplência dos empréstimos concedidos para pessoa física ficou abaixo de 15%. O relatório do BC constatou que em setembro a inadimplência neste tipo de operação caiu para 14,7% frente aos 14,8% apurados no mês anterior. A inadimplência também caiu com relação ao nível registrado em setembro do ano passado, quando ficou em 15,1%.
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Em sentido contrário, a inadimplência nas operações de crédito junto às empresas também subiu em setembro em relação ao registrado em agosto deste ano, ao alcançar 4,8% da carteira de crédito. Também houve uma deterioração da inadimplência em relação a setembro do ano passado, já que na época a inadimplência era de 4,1% da carteira.
Apesar da ligeira melhora nos últimos meses, os números do BC revelaram uma deterioração nas carteiras de créditos com recursos livres desde o início do ano, tanto no segmento de pessoa física quanto no de empresas. Em janeiro desse ano, a inadimplência entre pessoa física estava em 14,7%, enquanto o volume de operações em atrasos entre empresas estava em torno de 4,0%. Assim sendo, em termos gerais a inadimplência registrou elevação de 80 pontos base desde janeiro desse ano, quando estava em 7,9%.
Entre indivíduos atrasos se concentram nos CDCs
Dentre as várias modalidades de empréstimos à pessoa física, a maior inadimplência ficou com as operações de aquisição de bens, com 20,2% de inadimplência, o que representa um recuo em relação a agosto quando estava em 21,2%.
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O recuo da inadimplência nas operações de compras de bens, que incluem basicamente os CDCs (Crédito Direto ao Consumidor) para compra de eletrônicos e linha branca, foi devido, sobretudo, a uma queda no percentual de financiamentos com atraso de mais de 90 dias.
Em agosto cerca de 12,9% da carteira de CDCs estava com atraso de mais de 90 dias, percentual que caiu para 12% em setembro. Por sua vez, o total de financiamentos de compras de bens, com atraso entre 15 e 90 dias caiu de 8,3% para 8,2%.
Seguindo a mesma tendência, a inadimplência entre as operações de crédito pessoal caiu 0,60 ponto percentual para 13,6%, a de financiamento de automóveis ficou estável em 11,6% e finalmente, a de cheque especial subiu 0,10 ppt para 9,9%.
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Em termos totais, cerca de 7,7% das operações de crédito para pessoa física estão com atraso superior a 90 dias frente a 8,3% em setembro do ano passado. Por outro lado, as operações em atraso de 15 a 90 dias representam cerca de 7% do total de empréstimos a pessoa física, acima dos 6,8% apurados no mesmo período do ano passado.
Inadimplência das empresas é maior no hot money
Por sua vez, entre as empresas a inadimplência é maior nas operações de hot money em que 12,2% das operações estão com atraso, sendo que 11,3% das operações estão com atraso de mais de 90 dias, enquanto apenas 0,9% destes créditos está com atraso de 15 a 90 dias.
Em seguida ficaram as operações de capital de giro, cuja inadimplência total é de 8%, dos quais 3,8% das operações estão com atraso entre 15 e 90 dias e 4,2% com atraso superior a 90 dias. Nas demais linhas de curto prazo, como as operações de conta garantida e desconto de duplicatas a inadimplência é mais baixa de, respectivamente, 2,9% e 4,6%.
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Os menores índices de inadimplência entre empresas foram registrados nas operações de adiantamento de contrato de câmbio e repasse externo, onde apenas 1,3% e 2,1% das operações apresentavam algum tipo de atraso.