Inadimplência ficou estável em 8% em janeiro

Inadimplência nos empréstimos para pessoa física é de 14,5%, já entre empresas é de apenas 4,3%; inadimplência é maior nos CDCs, onde atinge 19%

Publicidade

SÃO PAULO – De acordo com o relatório do Banco Central, a inadimplência na carteira de crédito com recursos livres, isto é, que exclui operações com recursos direcionados através de concessões para crédito de habitação ou rural ou através de repasses de recursos de agências de fomento, como o BNDES, ficou estável no primeiro mês deste ano.

No final de janeiro, o volume total de créditos com recursos livres foi de R$ 213,3 bilhões, dos quais R$ 77,6 bilhões (ou 36,4%) para pessoas físicas e os R$ 135,6 bilhões restantes para as empresas. Do total de recursos destinados às empresas, cerca de 45%, ou R$ 61 bilhões, são empréstimos pós-fixados, que expõe as empresas a novos aumentos da taxa básica de juros.

Segundo o BC, em janeiro não houve alterações na taxa de inadimplência da carteira de crédito com recursos livres, que ficou estável em 8%. Depois de se manter estável em 7,9%, em setembro e outubro, a taxa de inadimplência subiu para os 8% atuais em novembro. Ainda assim, em relação à taxa de janeiro de 2002, houve um recuo de 0,8 ponto percentual, já que na época a inadimplência estava em 8,8%.

Inadimplência estabilizou

No segmento de pessoa física, o volume de operações em atraso retomou a trajetória de queda registrada entre maio e novembro do ano passado, e voltou a cair em janeiro depois de um ligeiro aumento em dezembro. Assim sendo, a taxa de inadimplência caiu de 14,8% em dezembro para 14,5% em janeiro, muito abaixo daquela registrada em maio do ano passado, quando a taxa atingiu seu nível mais alto no ano, ao ficar em 15,9%.

Já no que se refere às operações de crédito junto às empresas, a inadimplência subiu ligeiramente passando de 4,2% para 4,3%, voltando assim ao nível de novembro do ano passado. Ao contrário do que aconteceu com a inadimplência entre as pessoas físicas, que registrou forte aumento desde janeiro de 2001, subindo de 11,5% para os atuais 14,5%, a inadimplência entre empresas caiu neste mesmo período, baixando de 6,8% em janeiro de 2001 para os atuais 4,3%.

Inadimplência é maior nos CDCs

Dentre as várias modalidades de empréstimos à pessoa física, a maior taxa de inadimplência ficou com as operações de aquisição de bens, com 19% de inadimplência.

Continua depois da publicidade

Em seguida ficaram as operações de crédito pessoal, com 14%; o financiamento de automóveis, com 10,4%; e o cheque especial, com 9,9%. O maior recuo foi registrado no cheque especial, visto que a inadimplência em dezembro era de 10,8%.

No caso dos financiamentos de compras de bens, que incluem basicamente os CDCs (Crédito Direto ao Consumidor) para compra de eletrônicos e linha branca, 11,1% das operações estão com atraso de mais de 90 dias, enquanto 7,9% destas operações estão com atraso de 15 a 90 dias.

Em termos totais, cerca de 14,5% das operações de crédito para pessoa física estão com atraso, das quais 7,7% estão em atraso de mais de 90 dias e 6,8% com atraso entre 15 a 90 dias.

Continua depois da publicidade

A relativa estabilidade na taxa de inadimplência entre indivíduos no primeiro mês do ano, época em que geral se gasta mais com o pagamento de impostos, despesas escolares e as prestações de compras efetuadas no Natal, reflete a maior cautela dos consumidores, que, diante da incerteza no cenário econômico, evitaram contrair novas dívidas.

Prazos quase não mudaram

Não houve grandes mudanças no prazo de concessões médio dos créditos ao consumidor, que ficou em 314 dias três dias a menos da média de dezembro. O maior recuo ficou entre as operações de empréstimo pessoal cujo prazo médio caiu em nove dias ficando em 211 dias, pouco menos de sete meses. Apesar disto, esta é a modalidade que acumula o maior aumento nos prazos de concessão dos últimos 12 meses, com um aumento de 14 dias no período.

Em contrapartida, o prazo médio dos cartões caiu em 16 dias nos últimos 12 meses ficando em cerca de 30 dias em janeiro deste ano, apenas um dia a menos do que o prazo médio registrado em dezembro.