Inadimplência ficou estável em 8% em dezembro

Inadimplência nos empréstimos para pessoa física é de 14,8%, já entre empresas é de apenas 4,2%; inadimplência é maior nos CDCs, onde atinge 19,1%

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SÃO PAULO – De acordo com o relatório do Banco Central, a inadimplência na carteira de crédito com recursos livres, isto é, que exclui operações com recursos direcionados através de concessões para crédito de habitação ou rural ou através de repasses de recursos de agências de fomento, como o BNDES, ficou estável em dezembro de 2002.

No final de dezembro, o volume total de créditos com recursos livres foi de R$ 213 bilhões, dos quais R$ 76,3 bilhões (ou 36%) para pessoas físicas e os R$ 137 bilhões restantes para as empresas. Do total de recursos destinados às empresas, cerca de 42%, ou R$ 57,5 bilhões, estão denominados em moeda estrangeira.

Segundo o BC, em dezembro não houve alterações na taxa de inadimplência desta carteira de crédito, que ficou estável em 8%. Depois de se manter estável em 7,9%, em setembro e outubro, a taxa de inadimplência subiu para os 8% atuais em novembro. Ainda assim, em relação à taxa de janeiro de 2002, houve um recuo de 0,8 ponto percentual, já que na época a inadimplência estava em 8,8%.

Inadimplência estabilizou

No segmento de pessoa física, o volume de operações em atraso subiu ligeiramente, depois de ter caído pelo sexto mês consecutivo em dezembro. Assim, a taxa de inadimplência subiu de 14,7% em novembro para 14,8% em dezembro. Apesar do aumento, a inadimplência de dezembro ficou bem abaixo daquela registrada em maio do ano passado, quando a taxa atingiu seu nível mais alto no ano, ao ficar em 15,9%.

Já no que se refere às operações de crédito junto às empresas, a inadimplência caiu, passando de 4,3% para 4,2%. Ao contrário do que aconteceu com a inadimplência entre as pessoas físicas, que registrou forte aumento desde janeiro de 2001, subindo de 11,5% para os atuais 14,8%, a inadimplência entre empresas caiu neste mesmo período, baixando de 6,8% em janeiro de 2001 para os atuais 4,2%.

Inadimplência é maior nos CDCs

Dentre as várias modalidades de empréstimos à pessoa física, a maior taxa de inadimplência ficou com as operações de aquisição de bens, com 19,1% de inadimplência. Em seguida ficaram as operações de crédito pessoal, com 14,2%; o cheque especial, com 10,8%; e finalmente o financiamento de automóveis, com 10,5%.

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No caso dos financiamentos de compras de bens, que incluem basicamente os CDCs (Crédito Direto ao Consumidor) para compra de eletrônicos e linha branca, 11,4% das operações estão com atraso de mais de 90 dias, enquanto 7,7% destas operações estão com atraso de 15 a 90 dias.

Em termos totais, cerca de 14,8% das operações de crédito para pessoa física estão com atraso, das quais 8% estão em atraso de mais de 90 dias e 6,8% com atraso entre 15 a 90 dias.

A relativa estabilidade na taxa de inadimplência entre indivíduos no último mês do ano, época em que geral se gasta mais com as compras de Natal, reflete a maior cautela dos consumidores, que, diante da incerteza no cenário econômico, evitaram contrair novas dívidas. Outros fatores, porém, também contribuíram para a queda dos créditos em atraso, como a liberação de novos lotes de restituição do imposto de renda, assim como a liberação da segunda parcela do décimo terceiro salário.