Inadimplência em financiamentos imobiliários é a mais alta desde 1985

De acordo com a Abecipe o índice de 2001 ficou em 27,6%, forçando os bancos a reverem suas concessões de crédito

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SÃO PAULO – No início desta semana o Departamento Econômico do Banco Central divulgou que o índice de inadimplência do Brasil havia ficado em 13,8% no mês de dezembro de 2001. Ainda de acordo com o BC, a média dos juros cobrados pelos bancos ficou em 60,2% em dezembro de 2001, o que representa um aumento de 7,6 pontos percentuais em relação ao mesmo mês de 2000, e explica pelo menos em parte o alto nível de inadimplência do país.

Inadimplência em créditos imobiliários ficou em 27,6%

Nesta quarta-feira (30/01) foi a vez da Abecip (Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança) anunciar que durante o ano passado o nível de inadimplência dos financiamentos imobiliário atingiu seu nível mais alto desde 1985, ficando em 27,6%. O índice inclui os contratos de financiamento imobiliário que atrasaram por mais de três meses as prestações. A associação lembra que os dados em questão não incluem os financiamentos com recursos do FGTS, mas apenas aqueles com recursos da poupança.

Perdão de dívidas antigas não foi suficiente para reduzir índice

Como era de se esperar, uma das principais razões para o alto nível de inadimplência é o forte aumento nas taxas de juros durante 2001, que acabou comprometendo o orçamento de boa parte da população e dificultando o pagamento das prestações. Nem mesmo a divulgação de uma medida provisória que previa o perdão de algumas dívidas antigas, cujas prestações não cobriam os juros a serem recebidos, foi capaz de contribuir para a queda da inadimplência.

Em parte alguns bancos optaram por conceder a quitação da dívida apenas para os mutuários que estavam em dia com suas prestações, limitando a redução do número de inadimplentes. Assim mesmo, se a quitação houvesse sido concedida a todos os mutuários o índice de inadimplência não cairia significativamente, passando dos atuais 27,6% para 25%.

Maioria dos contratos é anterior a 1998

A maior parte dos contratos em atraso foram assinados antes de 1998, período em que a variação da TR era muito maior e que o método de amortização do saldo da dívida através do Sistema de Amortização Constante (SAC) não era o mais utilizado. Para maiores informações sobre os vários mecanismos de amortização, clique aqui. Se forem considerados os contratos posteriores a esta data o nível de inadimplência cai significativamente para 5%.

Os altos índices de inadimplência durante o ano passado acabaram contribuindo para que muitos bancos reduzissem o volume de concessões de financiamentos imobiliário, ou tornassem as regras para concessão mais restritas, através de redução do prazo de financiamento e limitação no nível de comprometimento de renda. Por sua vez, o Banco Central tem pressionado estas instituições para que aumentem o volume de financiamentos imobiliários. Atualmente, o limite mínimo previsto é o de direcionar 65% dos recursos captados com a caderneta de poupança a este tipo de financiamento. Os bancos não respeitam este limite, pois incluem no cálculo do limite os créditos junto ao Fundo de Compensação de Variação Salarial, também conhecido como FCVS.