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SÃO PAULO – Mais uma vez o número de calotes no cheque registrou crescimento em todo o país, conforme divulgou a Serasa nesta quarta-feira, dia 24 de março. Foram devolvidos em fevereiro 16 cheques a cada lote de mil compensados, o que denota uma taxa de devolução de 1,6%. Em janeiro, as devoluções atingiam 15,6 cheques por grupo de mil, uma taxa levemente menor, de 1,56%.
Inadimplência recorde
Analisando os dados em relação a fevereiro do ano passado, a taxa de inadimplência no total de cheques devolvidos por falta de fundos verificada no mês passado também é maior. Naquele mês, foram devolvidos de 14,3 cheques por lote de mil compensados, taxa de devolução ainda menor, de 1,43%. Segundo a Serasa, o resultado é recorde para o mês de fevereiro desde que a criação do estudo, em 1991.
Em números absolutos, foram compensados 158,4 milhões de cheques em fevereiro, sendo que deste total 2,53 milhões foram devolvidos por falta de fundos. No mesmo mês no ano passado, as devoluções somaram um total de 2,58 milhões de cheques, o que configura, portanto, uma queda de 1,9% entre os dois períodos.
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Já o total de cheques compensados caiu 12,1% em relação a fevereiro de 2003, devido ao menor número de dias úteis em fevereiro de 2004 em razão do feriado de Carnaval, que no ano passado coincidiu com o mês de março.
Ainda de acordo com o estudo da Serasa, o total de cheques devolvidos em fevereiro superou aquele verificado em janeiro em 2,6%, enquanto que na comparação com fevereiro de 2003 houve um crescimento de 11,9%. Convém destacar ainda que a Serasa considera para a pesquisa sempre a segunda devolução por insuficiência de fundos.
O estudo revelou ainda que o pico de inadimplência do cheque ocorreu no mês de maio de 2003, quando as devoluções atingiriam uma taxa de 1,76% ao mês, isto é, 17,6 cheques eram devolvidos por grupo de mil compensados. A média anual de devoluções ficou em 1,55% (15,5 devoluções por grupo de mil), resultado recorde para o ano, assim como o pico atingido em maio sobre todos os aspectos.
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Serasa espera melhora na conjuntura econômica
Para a Serasa o aumento dos cheques sem fundos reflete o alongamento dos prazos de cheques pré-datados das vendas realizadas no final do ano passado, com a comemoração do Natal e Ano Novo, em relação ao ano anterior.
Além disto, a conjuntura não favorável ao consumidor também influenciou na inadimplência verificada, devido ao aumento do desemprego, juros elevados e queda da renda do consumidor, além da criação de novos impostos e taxas e da não correção da tabela do imposto de renda. Diante desta situação, muitos consumidores não priorizaram o pagamento de suas contas, o que acabou o levando a uma situação de inadimplência.
O aumento da inadimplência é típico desta época do ano, o que deve permanecer ainda no primeiro trimestre. Segundo a Serasa, apenas uma melhora na conjuntura econômica poderia trazer um alívio para o consumidor neste momento.