Inadimplência deve subir em 2009, incentivada por desemprego

De acordo com economista-chefe da Acrefi, ainda não é possível prever a que patamar a inadimplência deve chegar

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SÃO PAULO – A crise financeira internacional atingiu de maneira significativa a concessão de crédito ao consumidor no Brasil. A falta de recursos em abundância, como havia no começo deste ano, pressionou as taxas de juros e encurtou os prazos. Porém, a inadimplência não cresceu. Mesmo assim, no próximo ano, é esperado aumento da taxa de não-pagamento de dívidas.

“O que a gente percebe é que não há crescimento maior na inadimplência porque a maior concessão de crédito está focada em nichos com maior garantia, seja no financiamento de automóvel ou no crédito consignado”, explicou o presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Investimentos e Financiamento), Adalberto Savioli.

Avanço

Ele falou durante o XX Congresso Fibafin (Federação Iberoamericana de Associações Financeiras), que acontece nesta segunda-feira (17). De acordo com ele, houve um crescimento do crédito de, pelo menos, 25% ao ano, nos últimos anos, chegando a mais de R$ 1 trilhão – 40% à pessoa física -, sendo metade deste volume focado no financiamento de automóveis e 22%, no crédito consignado.

“Apesar de o crédito ter crescido, o nível de inadimplência não cresceu no mesmo ritmo”, disse. Ele explicou que a inadimplência cresce mais nas linhas de menor garantia, como cartão de crédito, que estão puxando para cima o índice médio de inadimplência hoje no País de 7,5%, tendo em vista que no financiamento de automóveis, por exemplo, a inadimplência chega a 3,5%.

Inadimplência

De acordo com o economista-chefe da Acrefi, Istvan Karoly Kasznar, a inadimplência deve crescer no próximo ano, mas não há como saber o quanto e em que patamar ela chegará. O que pode ser afirmado é que o patamar do avanço será menor do que o que será registrado em países desenvolvidos.

“O crédito foi bem selecionado e isso hoje evitou uma crise no País. O pessoal fez o dever de casa. Antes, se dizia que o brasileiro não sabia dizer não. Hoje, sabemos que ele soube dizer não e que ele defendeu o sistema”, explicou Kasznar.

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Desemprego

É difícil saber qual será o patamar da inadimplência, tendo em vista que diversas variáveis afetam a condição financeira do brasileiro, para que ele não honre seus compromissos financeiros. Uma delas é o emprego. Estudo realizado pela Acrefi revelou que, quando houve uma alta de 1% no desemprego, entre 2005 e 2007, o impacto foi de 73.622 pessoas inadimplentes nas carteiras bancárias.

“Quando existe uma alta do desemprego, imediatamente ressente-se a população. Quando há elevação de 1% no desemprego, há inadimplento de 0,2293% na carteira. Um desemprego significativo de 1% nas estatísticas do Ministério do Trabalho, no mercado financeiro, tem um impacto de mais de 70 mil pessoas ficando inadimplentes”.