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SÃO PAULO – A inadimplência é um problema já conhecido pelos comerciantes brasileiros, e certamente um dos principais motivos pelo qual os juros do crediário continuam tão altos. Preocupada em identificar medidas para reduzir a inadimplência do setor, a ACSP (Associação Comercial de São Paulo), realiza trimestralmente uma pesquisa para descobrir quais os motivos que levam os consumidores a ficarem inadimplentes.
Desemprego é maior responsável pela inadimplência
De acordo com os resultados do último estudo, o desemprego continua sendo o grande vilão da inadimplência no país. Dos 819 consumidores inadimplentes entrevistados, 67% responderam que o motivo do atraso no pagamento dos carnês era o desemprego ou a existência de alguém na família que estava sem trabalho fixo.
Esta situação se agravou nos últimos doze meses, uma vez que em março do ano passado, somente 40% dos entrevistados alegaram o desemprego como fator da inadimplência, percentual que aumentou para 56% em setembro de 2001. A maior influência do desemprego não chega a surpreender, visto que o segundo semestre de 2001 foi marcado pela forte desaceleração da economia mundial, que acabou afetando o crescimento da economia brasileira, e conseqüentemente implicando em um aumento do número de demissões no país.
Inadimplentes continuam desempregados
O estudo também levantou que 44% dos inadimplentes entrevistados ainda não conseguiram emprego, percentual ligeiramente inferior ao da última pesquisa que foi de 45%. A boa notícia é que dentre os que encontraram emprego, aumentou o percentual de registros em carteira; cerca de 62% dos inadimplentes empregados têm trabalham com carteira assinada, frente a 56% na última pesquisa.
A pesquisa também sugere que os consumidores mais jovens, isto é, aqueles entre 21 e 40 anos, respondem pela maior parte (71%) dos casos de inadimplência. A maioria dos inadimplentes ganha entre R$ 351,00 e R$ 1.000,00, faixa que responde por 58% do total de inadimplentes.
O setor mais prejudicado pelos consumidores inadimplentes é o comércio (44%), seguido pelos bancos (25%) e pelas financeiras (16%). Já no quesito mercadorias, os eletrodomésticos foram os mais apontados, 22%. Logo depois estavam os itens roupas e calçados (16%). Os carnês representaram o meio de pagamento com o maior índice de inadimplência (50%), seguido pelos cheques (36%).
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Maioria tem mais de um carnê em atraso
Um dado preocupante é a quantidade de carnês em atraso, cerca de 59% dos entrevistados afirmaram que possuem mais de um carnê em atraso. Este dado indica um aumento significativo da inadimplência nos últimos doze meses, uma vez que em setembro do ano passado este percentual era de 45% e em março do mesmo ano de apenas 9%.
Boa parte dos casos de atraso está relacionada aos financiamentos de menos de um ano, com 8 a 12 prestações, que respondem por 44% dos casos de inadimplência.
A falta de planejamento também contribui para os altos níveis de inadimplência, visto que a maior parte das prestações em atraso são de valores relativamente baixos. Cerca de 63% dos casos de atraso no pagamento envolve prestações de valor entre R$ 51,00 e R$ 200,00.
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A pesquisa também revela que muitos inadimplentes parecem ter aprendido com a situação. Cerca de 52% dos consumidores inadimplentes não pretendem voltar a comprar parcelado, mas uma boa parcela deles (38%) não parece se incomodar e pretende voltar a comprar pelo crediário.
Apesar de tudo isto, os brasileiros continuam otimistas em relação ao desempenho da economia em 2002. Segundo a pesquisa, 73% dos entrevistados acreditam que 2002 será um bom ano. Esse foi o melhor resultado já registrado pela pesquisa.
Re-negociação está mais fácil
Segundo o presidente da ACSP, Alencar Burti, os empresários estão se esforçando para melhorar o relacionamento com os inadimplentes, principalmente no que se refere à re-negociação de dívidas. Atualmente, os lojistas e os bancos estão mais abertos a esse tipo de negociação e preferem perder um pouco, através da re-negociação, ao invés de perder tudo.
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Preocupada com esta situação a ACSP lançou em março a cartilha “Como limpar o nome da praça”, que fornece orientações e dicas aos consumidores que se tornaram devedores.
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