Inadimplência de empresas e consumidores sobe no ano até setembro, aponta Serasa

Inadimplência de pessoa física subiu 5,9% sobre igual período em 2002; entre empresas, alta foi de 6,7%

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SÃO PAULO – A Serasa divulgou, nesta terça-feira, seu indicador de inadimplência, em que apontou queda da inadimplência entre as pessoas físicas no período acumulado de janeiro a setembro de 2003.

O Indicador Serasa de Inadimplência revelou que a inadimplência de pessoa física subiu 5,9% nos nove primeiros meses do ano frente a igual período em 2002, mantendo a mesma variação verificada no acumulado até agosto sobre igual período em 2002. No ano passado, a inadimplência em nove meses havia subido 28,8% frente a 2001.

Pessoa física deve mais nos gastos com o cheque

Os cheques sem fundos apresentaram queda na representatividade da inadimplência de pessoa física. Enquanto em setembro de 2001 os cheques representavam 43% do total de indicador, em 2002 esta participação passou para 37% e em 2003, caiu para 36%. Em seguida, está o registro de inadimplência de cartões de crédito e financeiras, cuja participação em setembro ficou em 33% do indicador. Em setembro de 2002 e 2001, a participação era de 34% e 30%, respectivamente.

Os registros no sistema financeiro (bancos) representam a terceira maior participação no indicador, que aumentou nos últimos anos. Em agosto de 2001, a participação era de 30%, passando para 34% em 2002 e 33% em agosto deste ano. Por sua vez, os títulos protestados representaram 2% do indicador em 2003, a mesma variação apresentada em 2002, ante uma participação de 3% em 2001.

O estudo indicou, ainda, os valores médios das anotações negativas em agosto referentes à inadimplência de pessoa física: cheques sem fundos, R$ 378,36; títulos protestados, R$ 555,43; registros no sistema financeiro, R$ 938,01; e registros de outros segmentos (cartões de crédito e financeiras), R$ 228,77.

Inadimplência sobe entre as empresas

No que se refere à inadimplência das empresas, o estudo apontou crescimento da inadimplência também entre as pessoas jurídicas. De janeiro a setembro, a inadimplência subiu 6,7% em relação ao mesmo período em 2002. Neste ano, na comparação com 2001, o crescimento da inadimplência foi de 8,4%.

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Nota-se, portanto, que os dois períodos têm se tornado cada vez mais próximos (2003/2002 e 2002/2001) de forma que a Serasa acredita que o perfil da inadimplência de pessoas jurídicas deste ano deve repetir os resultados verificados no ano passado.

Em termos de representatividade, os títulos protestados de pessoa jurídica aparecem em primeiro lugar, correspondendo a 48% do indicador em setembro de 2003, percentual idêntico ao de 2002, e levemente inferior ao de 2001, de 49%. Os cheques sem fundos estão em segundo lugar em termos de representatividade. No mês de setembro representaram 37% do total do indicador, mesmo percentual de 2002, frente à participação de 38% verificada em setembro de 2001.

A terceira maior participação no indicador ficou com o sistema financeiro (bancos) em setembro. Neste ano, a participação foi igual a 15% do total do indicador, mesmo percentual verificado em agosto de 2002. Em 2001, a participação dos bancos no Indicador Serasa de Inadimplência foi de 13%.

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Finalmente, no que se refere ao valor médio das anotações negativas em setembro, os valores foram de R$ 987,83 no caso dos cheques sem fundos, R$ 1.319,83 nos títulos protestados e R$ 3.038,35 nos registros do sistema financeiro.

Perspectivas Serasa

De acordo com a Serasa, fatores conjunturais como queda da renda, juros elevados, desemprego e aumento das tarifas públicas levaram o consumidor a encontrar maiores dificuldades financeiras na hora de honrar com seus compromissos. Com o pagamento do décimo terceiro salário a partir do mês de novembro, espera-se uma melhora do cenário no último bimestre do ano.

Já as empresas foram prejudicadas pela baixa atividade econômica e juros reais elevados. As micros, pequenas e médias são as que mais sofrem com estes fatores. A expectativa de recuperação da atividade econômica no último bimestre do ano reduzirá de forma mais acentuada a inadimplência em todas as modalidades, sinalizando melhores condições para a oferta e a demanda por crédito no primeiro trimestre de 2004.