Inadimplência cresceu menos que financiamentos desde 99

Entre janeiro de 1999 e setembro de 2002, volume de financiamentos aumentou 71%, enquanto casos de inadimplência cresceram 61%

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SÃO PAULO – Nos últimos 12 meses, o setor financeiro tem adotado uma postura mais conservadora no que refere à concessão de crédito, preocupado com o aumento da inadimplência em decorrência da alta na taxa de juros básica, que subiu de 15,25% ao ano em janeiro de 2001 para 21% ao ano em outubro deste ano.
Ao que tudo indica, este conservadorismo reflete apenas os últimos meses, visto que se analisarmos para um período mais longo de tempo, isto é, desde 1999, o volume de concessões de crédito cresceu de maneira significativa. Vale ressaltar que, assim como aconteceu em 2002, em 1999 o real sofreu uma maxi-desvalorização frente ao dólar norte-americano.
Inadimplência cresceu menos

Segundo dados do Serasa, o volume de crédito no país, incluindo concessões tanto para empresas quanto indivíduos, aumentou 71% no período entre janeiro de 1999 e setembro deste ano. Em contrapartida, a inadimplência, medida através dos casos de atraso em todos os meios de pagamento, aumentou 61% entre janeiro de 1999 e outubro de 2002, sugerindo que em, relação ao total de financiamentos concedidos, a inadimplência caiu neste período.
Se considerarmos apenas as concessões para pessoas físicas, esta disparidade é ainda maior, já que o volume de créditos concedidos cresceu 139% enquanto a inadimplência aumentou 84%. Já entre as concessões para empresas, a expansão foi bem menor, de 55%, frente a uma queda de 2% na inadimplência.
Entre janeiro de 1999 e setembro deste ano, a taxa básica de juros caiu de 45% ao ano para 18% ao ano. Neste mesmo período, segundo dados da Anefac, a taxa média cobrada nos créditos ao consumidor caiu de 248,71% ao ano (ou 10,97% ao mês) para cerca de 156,90% ao ano (ou 8,18% ao mês). Por serem bem mais elevados, a queda nos juros ao consumidor teve um impacto mais significativo no volume de créditos concedidos, o que explicaria a diferença na taxa de crescimento dos créditos para empresas e para indivíduos.
Juros bancários caíram mais

Ainda segundo dados da Anefac, pode-se verificar que, no período entre março de 1999 e setembro deste ano, os juros cobrados nos financiamentos bancários caíram proporcionalmente mais do que os cobrados nos cheques e cartões.

No período em questão, os juros médios cobrados nos CDC (Crédito Direto ao Consumidor) bancários e empréstimos bancários caíram de 159,19% ao ano (8,26% ao mês) e 149,03% ao ano (7,90% ao mês) para, respectivamente, 65,35% ao ano (4,28% ao mês) e 87,12% ao ano (5,36% ao mês). Em contrapartida, os juros cobrados nos cheques e cartões caíram de 347,46% ao ano e 354,63% ao ano para 210,10% ao ano e 230,32% ao ano.

Esta diferença explicaria o porquê dos cheques e cartões ainda responderem por 68% do total dos casos de inadimplência, enquanto os empréstimos bancários respondem por cerca de 25% deste total. Apesar disto, o valor médio dos casos de inadimplência é bem maior nos bancos.
Com base nos dados da Serasa, o valor médio dos casos de inadimplência bancária é de R$ 2.333,86, cerca de três vezes e meia o valor médio dos cheques sem fundo, que é de R$ 671,74. Por sua vez, o valor médio dos cheques é o dobro do registrado nos cartões, que foi de R$ 320,37.