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SÃO PAULO – Companheiro em todas as horas para os consumidores compulsivos, ou apenas um meio mais prático para organizar e controlar pagamentos, os cartões de crédito podem figurar como o mais novo foco da atual crise financeira, com grande crescimento da inadimplência, afirmam analistas do banco francês Société Générale.
Em relatório produzido nesta quarta-feira (28), a equipe de pesquisadores indicou que os problemas no mercado imobiliário e o desemprego devem impulsionar as taxas de inadimplência. Como em um ciclo vicioso, o movimento somente tornará mais difícil a recuperação econômica.
Emprego
O estudo sugere uma correlação histórica das taxas de inadimplência e desemprego, por si só suficiente para explicar uma alteração neste momento, dada a grande deterioração dos níveis de emprego nos Estados Unidos. Todavia, em alguns episódios históricos, houve certo descolamento.
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Além da forte influência que os ciclos econômicos possuem sobre a capacidade dos indivíduos em honrar com seus compromissos, os analistas destacam a importância das condições da oferta de crédito para viabilizar os pagamentos.
Mesmo em momentos de recessão, como entre os anos de 2001 e 2003, é possível haver uma redução da inadimplência com cartões de crédito. Naqueles tempos, a política monetária mais frouxa praticada nos EUA reduziu o custo do crédito e fez com que a inadimplência estivesse em patamares inferiores aos do desemprego.
Parando de girar
Situação inversa ocorreu em 1996, quando os bancos aumentaram suas restrições ao crédito destinado ao consumo. Mais uma vez, é possível que a inadimplência esteja fixada em patamares mais elevados, logo após um período de baixas históricas.
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“Entre 2004 e 2006, a inadimplência em cartões de crédito caiu para mínimas históricas, uma vez que empréstimos para aquisição de casas foram utilizados para pagar as dívidas mais caras dos cartões”, diz o relatório do Société Générale. Apenas um indício das complexas relações estabelecidas durante a formação da bolha no mercado norte-americano.
Desta vez, por mais cortes que o Federal Reserve tenha realizado na taxa básica de juro, os bancos continuam a ofertar pouco crédito e a cobrar muito caro por ele, o que dificulta a rolagem de dívidas contraídas por meio do cartão de crédito e somente dificulta novos pagamentos. Enquanto a enorme aversão ao risco perdurar, será difícil imaginar uma redução no prêmio exigido.
Deste modo, os analistas entendem que as taxas de inadimplência poderão elevar-se dos atuais 5,25% para o nível recorde de 9,5% durante o ano de 2009. “Os bancos devem permanecer com muita cautela em suas operações de crédito ao consumo. Isto se tornará em mais vento contrário no caminho para a recuperação [econômica]”, concluíram os analistas.