Inadimplência caiu no quinto bimestre de 2002, diz Serasa

No primeiro bimestre a inadimplência cresceu 36% em relação ao mesmo período em 2001, já no quinto bimestre esta taxa caiu para 6,3%

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SÃO PAULO – Confirmando tendência já registrada nos levantamentos anteriores, a Serasa divulgou uma queda no seu indicador de inadimplência para o quinto bimestre deste ano, isto é, para o período entre setembro e outubro. O indicador da Serasa é o único divulgado no país, que inclui todos os meios de pagamentos, desde cheques até títulos protestados tanto para pessoa física como para empresas. O indicador compara o volume de atrasos em um período com o mesmo período no ano anterior, de forma a obter uma taxa de crescimento.
O levantamento da Serasa aponta para uma queda significativa do indicador que caiu de 36% no primeiro bimestre de 2002 para 6,3% no quinto bimestre. Em ambos os casos a comparação foi feita com relação ao mesmo período no ano passado, de forma que o que se registra é um crescimento menos acelerado do volume de protestos. Em termos dos dois segmentos analisados, o destaque fica com a inadimplência entre empresas.
Enquanto no primeiro bimestre deste ano o volume de protestos registrou crescimento de 30,7% em relação ao mesmo período no ano passado, no quinto bimestre o que se constatou foi uma retração de 13,5% no volume de protestos em relação ao mesmo período no ano passado. Apesar disto, a inadimplência entre pessoas físicas também caiu, passando de um crescimento de 44% no primeiro bimestre para uma expansão de 16,4% no quinto bimestre (setembro-outubro).
Maior cautela do consumidor

No caso da inadimplência entre pessoas físicas, a queda pode ser atribuída a maior cautela entre os consumidores, que têm evitado levantar novos financiamentos. Além disto, o pagamento dos expurgos do FGTS, assim como a liberação de vários lotes de restituição do imposto de renda permitiu que muitas pessoas aproveitassem para quitar suas dívidas.
Apesar da maior cautela do consumidor, o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, acredita que as vendas no Natal devem ser boas. Para Lucca, o consumidor estaria se preparando para o Final do Ano, isto é, aproveitando para limpar seu nome e sair do vermelho antes de voltar às compras. Como muitas financeiras e bancos estão oferecendo possibilidade de renegociação de débitos atrasados, enquanto os comerciantes possibilitam pagamentos parcelados sem juros, o presidente da Serasa acredita que as vendas de Final de Ano devem ser impulsionadas pelo crédito.
Empresas renegociam mais

Por sua vez no que refere a inadimplência entre empresas, o que se verificou foi que muitas das instituições que oferecem crédito optaram por oferecer a possibilidade de renegociação para as empresas.
Pressionadas pelo aumento do dólar que aumenta os custos de produção, muitas empresas não conseguiram repassar este aumento de custos para o consumidor final. Diante desta situação, acabaram sofrendo com a perda de margem, de forma que a renegociação de dívidas antigas foi a alternativa encontrada por estas empresas para reduzir os gastos com financiamentos.