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SÃO PAULO – Ninguém dúvida que a inadimplência segue bastante elevada no país, mas se depender das constatações de um estudo realizado pela Serasa, o pior já pode ter passado. O levantamento da Serasa é bastante completo, pois além de analisar o volume de créditos concedidos também inclui os cheques pré-datados, que não fazem parte dos dados oficiais.
Inadimplência caiu em 2002
Se compararmos o volume de crédito concedido e o percentual de atrasos, a conclusão a que se chega é que o percentual de créditos atrasados está diminuindo, apesar do forte crescimento no volume de créditos concedidos.
De acordo com a Serasa, o indicador acumulado de inadimplência para o primeiro semestre deste ano ficou em 26,1% abaixo, portanto, dos 28,7% registrados no mesmo período em 2001. Esta retração é ainda mais acentuada se compararmos os dados do terceiro bimestre de 2002 com o do mesmo período em 2001, com o índice caindo de 35,7% para 19,5%.
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Os dados provavelmente são a figura mais completa da inadimplência no país, já que incluem dados de créditos concedidos por bancos, operadoras de cartão, financeiras, varejo, títulos protestados e cheques devolvidos. Além disto, incluem tanto empréstimos de empresas quanto de indivíduos.
Inadimplência é bem menor entre empresas
O grande problema é que ao analisar a inadimplência por segmento, fica fácil verificar que ela é bem maior entre os indivíduos do que entre as empresas. No segmento pessoa física a inadimplência só dá sinais de desaceleração na comparação entre o terceiro bimestre deste ano com o do ano passado, com o índice caindo de forma modesta 30,1% para 29,1%. Entretanto, na comparação do acumulado seis meses, o que se verifica é um aumento do índice de 24,4% no primeiro semestre de 2001 para os atuais 34,9% dos primeiros seis meses de 2002.
Entre as empresas a situação é bem mais tranqüila, com a inadimplência caindo tanto no acumulado do semestre, quando passou de 23,9% para 12,2%, quanto na comparação entre o terceiro bimestre, com o índice despencando de 29,3% para apenas 0,6%. Na verdade, o aumento mais acentuado entre as empresas aconteceu no primeiro bimestre, quando bateu 30,7%, devido ao movimento de reposição de estoques das empresas.
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O estudo constatou um crescimento de 56% na inadimplência entre janeiro de 1999, período em que os juros começaram a baixar, e junho deste ano. Apesar disto o volume de concessão de empréstimos registrou aumento ainda maior, de 70% no mesmo período, sendo que as concessões para pessoas físicas registraram um crescimento de 130% atingindo R$ 83 bilhões em junho deste ano. Para o assessor econômico do Serasa, Carlos Henrique Almeida, esta informação é importante, uma vez que os atrasos não podem ser analisados em separado.