Inadimplência cai para 7,9% em setembro, segundo BC

Maior cautela do consumidor impediu forte crescimento do volume de crédito, assim como causou estabilidade da inadimplência

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SÃO PAULO – De acordo com o relatório do Banco Central, a inadimplência na carteira de crédito com recursos livres, isto é, concedidos com recursos das próprias instituições, e não com base nos recursos captados no mercado, como depósitos, ficou em 7,9% do total da carteira. Este seria o nível mais baixo atingido desde novembro do ano passado.

Consumidor mais cauteloso

No segmento de crédito pessoal, o volume de operações em atraso subiu de 14,64% em agosto para 15% em setembro, enquanto nas operações de crédito junto a empresas a inadimplência caiu para 4,1%.

Apesar da estabilidade na inadimplência entre as operações de crédito poder ser justificada pela adoção de políticas mais conservadoras na concessão de créditos por parte das instituições financeiras, não se pode ignorar a maior cautela do consumidor, que, diante da incerteza no cenário econômico, evitou contrair novas dívidas.

Outros fatores, porém, também contribuíram para a queda dos créditos em atraso, como por exemplo, o início do pagamento dos expurgos do FGTS referentes aos planos Verão e Collor 1, assim como a liberação dos lotes de restituição do imposto de renda e a liberação das primeiras linhas de antecipação de décimo terceiro.

Volume de concessões aumentou em setembro

Em termos gerais o volume de novas concessões registrou uma expansão de 1,30% em setembro, devido principalmente à expansão no volume de novas concessões para compra de automóveis, que cresceu quase 14% em setembro.

Não bastasse a redução do IPI adotada a partir de agosto, que barateou o custo de aquisição dos carros de motor até 2.0, os juros desta modalidade de financiamento também caíram, facilitando a contratação de novos empréstimos. Contudo, apesar da forte expansão no volume de crédito concedido, a inadimplência ficasse estável em 10,18%, mas a parcela de empréstimos com atraso de mais de 90 dias caiu para 2,83% do total de empréstimos concedidos.

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Em contrapartida, o volume de novas concessões nas operações de crédito pessoal de setembro foi 0,22% menor do que aquele registrado em agosto, alcançando a marca de R$ 2,854 bilhões. A queda é ainda mais significativa (9,65%) se compararmos com o volume de novos empréstimos concedidos no mês de maio, quando o volume de novos créditos atingiu R$ 3,1 bilhões.

Desde então, o maior nervosismo do mercado quanto à sucessão presidencial levou o dólar a disparar, impulsionado a inflação e aumentado a cautela dos investidores, que evitaram novas dívidas. Esta cautela permitiu um recuo na inadimplência, apesar do aumento dos juros médios cobrados, que subiram 0,08 ponto percentual para 5,28% ao ano em setembro.

A inadimplência, que não havia recuado abaixo dos 15% durante todo o ano de 2002, caiu para 14,80% em setembro. Além disto, o percentual de créditos com mais de 90 dias de atraso caiu para 8,88% do total de créditos concedidos frente a 8,97% em agosto. Para compensar o aumento dos juros, o prazo médio dos financiamentos aumentou em cinco dias ficando em 211 dias ou cerca de sete meses.