Inadimplência cai, mas continua num patamar bastante elevado

Recursos do FGTS contribuiram para a quitação de dívidas, mas consumidores já voltaram a se endividar

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SÃO PAULO – De acordo com os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a taxa de inadimplência caiu para 6,2% em 2002 frente aos 7,7% do ano passado. Essa forte queda foi decorrente da injeção de recursos da ordem de R$ 11 bilhões provenientes do pagamento dos expurgos do FGTS.

Consumidores voltam às compras

Com os recursos do FGTS, muitos consumidores aproveitaram para quitar as suas dívidas visando estarem livres para abrirem novos crediários. Contudo, a ACSP ressalta que a inadimplência vem adotando trajetória ascendente, sinalizando o aumento nos crediários nesse Final de Ano, o que pode trazer problemas futuros no primeiro trimestre do próximo ano.

No começo do ano a maioria das famílias acaba ficando com o orçamento apertado em função do pagamento dos impostos, férias, escola e pagamentos pendentes do Natal. A média no volume de novas dívidas em 2002 apresentou crescimento de 5,2%, o que acabou sendo parcialmente compensado pela forte alta de 21,1% no pagamento de débitos quitados.

Dessa forma, a taxa de inadimplência praticamente ficou estável em relação a 2000, quando a taxa ficou em 5,7%.

Vendas cresceram na 1º quinzena de dezembro

As vendas no comércio apresentaram crescimento de 3% em 2002 frente a 2001. Na primeira quinzena de dezembro, as vendas cresceram 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado. As projeções da ACSP apontam alta de 2% nas vendas de 2002 frente ao ano anterior. As vendas a prazo devem crescer 0,1% enquanto as vendas à vista devem subir 5,8% em 2002.

Nos primeiros quinze dias de dezembro, as vendas a prazo, medidas pelo volume de consultas ao SPC (Serviço de Proteção de Crédito), apresentaram aumento de 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto isso, as vendas à vista, medidas pelo volume de consultas ao UseCheque, apontaram crescimento de 1,9% no período em questão.

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Na opinião da ACSP, 2002 não foi considerado um ano positivo para o setor varejista. A queda do poder aquisitivo das famílias brasileiras atrelado à elevada taxa de desemprego, a volta do temor em relação à inflação e o aumento da taxa de juros básica da economia acabaram inibindo os consumidores. No início do ano, a associação apostava num aumento de aproximadamente 6% nas vendas.