Inadimplência bancária atingiu 14,6% em janeiro

Este é o percentual mais alto desde junho de 2000, quando o BC começou a calcular este índice. Aumento da inadimplência dificulta redução dos juros

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SÃO PAULO – Nesta quinta-feira o Banco Central divulgou os dados de sua pesquisa mensal sobre inadimplência bancária. O indicador analisa o percentual dos financiamentos junto a bancos que estão em atraso sobre o volume de financiamentos concedidos. Em janeiro, este índice ficou em 14,6% o percentual mais elevado desde junho de 2000, quando o Banco Central começou a calcular este índice.

De acordo com o BC a inadimplência não aumentou somente entre as pessoas, mas também entre as empresas, segmento em que a inadimplência bancária é considerada elevada. O índice entre empresas aumentou de 6% em dezembro do ano passado para 6,7% em janeiro deste ano. O índice de janeiro é o mais alto desde setembro de 2000.

Desaceleração da economia contribui para inadimplência

O aumento da inadimplência nos últimos meses pode ser atribuído à desaceleração da economia brasileira, que acabou crescendo menos ainda do que esperava o próprio Governo. No ano passado o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) foi revisto mais de uma vez, sendo que na última delas esperava-se algo entre 1,8% e 1,9%. Contudo, o número final para 2001 ficou abaixo destas expectativas, em 1,5%. No início de 2001 a expectativa do Governo era de que a economia deveria crescer ao redor de 4,5%.

Inadimplência impede redução mais acentuada dos juros

Antes mesmo do BC optar por reduzir a taxa básica da economia de 19% ao ano para 18,75% ao ano, os juros cobrados nos financiamentos ao consumidor de instituições não financeiras baixaram. Os juros do comércio, por exemplo, caíram de 6,79% ao mês em outubro para 6,70% em janeiro, segundo a Anefac. Esta redução tinha como objetivo atrair o consumidor de volta às compras no final do ano.

Contudo, em janeiro algumas das modalidades de financiamento, cujos juros baixaram em dezembro devido às festas de final de ano, voltaram a subir em janeiro devido ao aumento da inadimplência. Este é o caso, por exemplo, dos empréstimos pessoais junto a bancos. Em novembro o custo destes financiamentos era de 5,38% ao mês, percentual que caiu para 5,22% em dezembro e subiu para 5,25% em janeiro. Da mesma forma, os juros para compra de bens e veículos, passou de 2,87% em novembro para 2,74% em dezembro, subindo para 2,96% em janeiro.

No segmento de empresas como não existe a pressão das vendas de Natal os juros sequer chegaram a baixar em dezembro e mantém tendência de alta desde meados do ano passado. Nos financiamentos de empresas a maior procura ficou com as linhas de conta garantida, cujos juros aumentaram consistentemente desde novembro, subindo de 4,12% naquele mês para 4,30% em janeiro. Já nos financiamentos do tipo capital de giro os juros subiram de 2,70% em dezembro para 2,79% em janeiro.