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SÃO PAULO – A gripe suína que infectou pessoas no México e que se manifestou em outros países, incluindo os Estados Unidos, elevou a preocupação sobre a possibilidade de uma pandemia global, o que poderia elevar o aprofundamento dos problemas econômicos e financeiros, segundo revelou uma análise da Economist Intelligence Unit, área de pesquisa da revista The Economist.
Os governos ao redor do mundo já atuaram exaustivamente ao oferecer todo o arsenal político para minimizar os efeitos da crise financeira internacional. Com a gripe suína, a habilidade das autoridades para conter o impacto que o vírus geraria na economia seria “limitada”?
A Economist Intelligence Unit confirma que ainda “não ajustou suas previsões econômicas”, calculando a deterioração gerada pela gripe suína. No entanto, várias ressalvas foram feitas.
É fato
A gripe suína já matou mais de 150 pessoas no México e, segundo a pesquisa, muitas escolas, museus, teatros e cinemas estão fechados. Áreas públicas estão isoladas, visando evitar a concentração de pessoas em um mesmo ambiente. O vírus já foi detectado em países como Estados Unidos, Espanha, França, Israel, Canadá e Nova Zelândia.
Em resposta, os governos mantêm a cautela, apesar dos Estados Unidos já terem decretado situação de “emergência de saúde pública”. Na segunda-feira (27), a Organização Mundial de Saúde elevou para 4 o nível de alerta por conta da doença, colocando-o próximo do nível de pandemia, ou epidemia generalizada.
Possibilidades
Para avaliar possíveis consequências na economia, os analistas responsáveis pelo estudo alertaram que a expansão do vírus e sua severidade são incertas. Desta forma, há possibilidade da contaminação passar de “despreocupante” para “devastadora”, diz o estudo.
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“Muitos especialistas dizem que uma pandemia global é inevitável. Contudo, isso não significa que a gripe suína atual terá a mesma proporção que a gripe espanhola, por exemplo, que matou entre 40 e 50 milhões de pessoas nos anos de 1918 e 1919”.
De acordo com a análise da Economist Intelligence Unit, “o mundo está melhor preparado atualmente para combater, através da medicina (incluindo medicamentos), surtos e doenças, assim como a SARS e a gripe aviária (H5N1) que afetaram a maioria dos países da Ásia em anos recentes”.
Temor atual
A grande preocupação dos especialistas é saber o quanto fatal e o quanto contagiosa é a gripe suína. Apesar das 150 mortes registradas no México, o efeito do vírus não parece ser tão devastador nos demais países. Além disso, ainda se investiga o fato do surto ocorrer por meio de espirros e tosse, assim como uma gripe comum.
Impacto na economia
“Uma pandemia poderia provocar uma curva de crescimento em V, afetando as atividades econômicas que envolvem a proximidade física de um substancial número de pessoas”, reitera o estudo da Economist Intelligence Unit.
Desta forma, a produção manufatureira global iria cair, já que trabalhadores estariam em “quarentena” e não poderiam ir para as fábricas. Ao mesmo tempo, o setor de serviços seria afetado pela falência de lojas e escritórios.
O turismo também seria fortemente prejudicado pelas restrições impostas por países, além do consumo privado sofrer redução, já que as pessoas deixariam de ir aos shoppings, restaurantes, etc. Em se tratando dos planos de investimentos, muitos poderiam ser adiados até uma maior clareza do cenário econômico.
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“Na medida em que o contágio psicológico passar, a atividade econômica retomaria seu crescimento”, calcula a Economist Intelligence Unit.
Passado vantajoso
Segundo uma pesquisa do FMI (Fundo Monetário Internacional) de 2006, apesar das pandemias do passado terem matado mais pessoas que as atuais, os surtos resultaram em um declínio econômico menos severo do que teriam hoje em dia.
Isso ocorre porque o gasto que as companhias teriam atualmente para manter os trabalhadores afastados do emprego seria maior, afirma a Economist Intelligence Unit.
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Conclusão
O estudo mostrou a preocupação de que os governos e bancos centrais não tenham muitas alternativas para lidar com os efeitos da crise financeira internacional, somados à pandemia global.
A Economist Intelligence Unit conclui que uma pandemia poderia elevar o “estresse” por pagamentos e sistemas financeiros, o que seria um “novo choque” para a economia global.