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SÃO PAULO – Os servidores do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que entraram em greve no último dia 2, continuam paralisados nesta sexta-feira (3), à espera de que suas reivindicações sejam apreciadas pelo Governo Federal.
Segundo sindicalistas representantes da categoria, a mobilização pretende pressionar o setor público a ampliar o quadro de funcionários nas agências de atendimento e a modernizar o sistema de informática.
Além disso, os servidores do INSS também querem piso salarial no valor estipulado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Economia e Estudos Sócio-Econômicos), atualmente em cerca de R$ 1,5 mil, e diferença de remuneração de 5% entre as carreiras.
Divergência quanto à adesão
Em entrevista concedida à Agência de Notícias da Previdência Social nesta sexta-feira (3), o ministro da pasta, Romero Jucá, afirmou que a greve se espalhou, de forma parcial, por 14 estados brasileiros. Entre estas localidades, a interferência mais grave ocorre no Distrito Federal e nos estados do Sudeste, em especial nas capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Os números da Fenasps (Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social), porém, indicam uma maior mobilização do setor, com a paralisação de 70% dos 1.114 postos de atendimento do País. Segundo a federação, no estado fluminense, onde houve a maior adesão, quase 100% dos funcionários interromperam seus trabalhos por tempo indeterminado.
Argumentos de Jucá geram polêmica
Na última quinta-feira (2), Jucá fez um apelo aos grevistas para que reiniciem suas atividades, alegando que os servidores têm conquistado benefícios ultimamente, como o pagamento de duas parcelas de 11,7% do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), uma no mês de maio e a próxima em dezembro deste ano.
Esta declaração foi veiculada pela Radiobrás, agência de notícias do Governo, dando a entender que a medida se referia a um reajuste salarial. A matéria no site de notícias começava assim: “O ministro da Previdência, Romero Jucá, anunciou um aumento de 22% para os trabalhadores do INSS”.
A diretoria do Sinsprev (Sindicato dos Servidores da Previdência), contudo, divulgou uma nota esclarecendo o episódio e classificando a atitude de Jucá como uma tentativa de “confundir e esvaziar a greve”.
Segundo explica o documento do sindicato, os pagamentos em questão se referem a um acordo extra-judicial firmado entre o sindicado da categoria e o ministério, durante a greve de 2003. Por meio deste pacto, ficou estabelecido que os servidores receberiam quatro prestações de 11,7%, relacionadas a um abono salarial congelado em 1988.