Genéricos: maioria dos médicos ainda não recomenda

Segundo levantamento da Anvisa, em apenas 12% das receitas de profissionais de saúde os genéricos são indicados

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SÃO PAULO – A introdução do medicamento genérico permitiu que o brasileiro pudesse ter acesso a um medicamento de qualidade, mas de preço inferior. Com isso, o impacto dos gastos com medicamentos, que consome boa parte do orçamento de algumas famílias, especialmente aquelas que têm crianças e/ou idosos, diminuiu.

Quase metade do preço

De acordo com a legislação, o preço do remédio genérico deve ser em média 45% mais barato do que o medicamento de referência, isto é, o primeiro remédio que entrou no mercado.

Enquanto os genéricos são submetidos a testes para garantir que sejam idênticos aos remédios de referência, os produtos similares não são. Entretanto, isto não significa que não sejam medicamentos de qualidade, já que também têm garantia na sua composição e são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde.

Somente 12% das receitas

Apesar de serem muito mais baratos que os remédios de referência, uma pesquisa da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) constatou que em cerca de 80% do total de receitas preparadas pelos profissionais de saúde os remédios de referência são indicados. O grande problema é que em somente 12% das receitas o nome do genérico, que pode ser usado no lugar do produto de referência é recomendado.
Para a gerente-geral de Medicamentos Genéricos da Anvisa, Vera Valente, esta atitude não se justifica, visto que se trata de medicamentos de mesma qualidade, mas com custo muito inferior que os medicamentos de referência. A diretora lembra que já existem cerca de 521 genéricos registrados, dos quais 300 já podem ser vendidos nas farmácias.

Por sua vez, o presidente da Associação Médica Brasileira, Eleuses Vieira de Paiva, argumenta que ainda existem poucos remédios nas farmácias o que dificulta a sua recomendação. Paiva afirma que “os médicos receitam o genérico, mas em quase 50% dos casos o paciente volta para trocar a receita por um remédio de marca porque não encontra o medicamento nas farmácias”. Esta opinião não é dividida pela ABCFarma (Associação das farmácias independentes). Segundo a Associação quase não se vê receita com genérico, a não ser quando o receituário é da rede pública.