Bilionários sem crise

Fortuna dos mais ricos do mundo cresce e atinge pico de US$ 10,2 trilhões em julho

Maior parcela da riqueza parte dos setores de tecnologia e saúde, nos quais as fortunas aumentaram 43% e 50%, respectivamente

(Getty Images)
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(Bloomberg) — O enorme aumento das fortunas de bilionários dos setores de tecnologia e saúde durante a pandemia de coronavírus pode ser o início de uma tendência mais permanente.

O choque da Covid-19 pode atuar como um catalisador para proporcionar maiores oportunidades aos que oferecem soluções digitais ou outros produtos de tecnologia. Ao mesmo tempo, o patrimônio de setores mais tradicionais pode sofrer, disseram UBS e PricewaterhouseCoopers em relatório na quarta-feira.

“Os inovadores e disruptivos, os arquitetos da destruição criativa na economia, ainda estão aumentando o patrimônio”, segundo o relatório Billionaires Insights 2020. “O patrimônio líquido de bilionários nos setores de entretenimento, serviços financeiros, matérias-primas e imobiliário ficou atrás do resto do universo.”

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Apesar do choque econômico global, as 500 pessoas mais ricas do mundo ficaram US$ 813 bilhões mais ricas desde o início do ano, de acordo com o Índice de Bilionários Bloomberg.

A fortuna total dos bilionários atingiu novo pico de US$ 10,2 trilhões em julho em relação aos US$ 8,9 trilhões no fim de 2017, de acordo com as conclusões do relatório. A maior parte veio dos setores de tecnologia e saúde, onde as fortunas aumentaram 43% e 50%, respectivamente. O patrimônio líquido nos setores de entretenimento, matérias-primas, imobiliário e até finanças cresceu 10% ou menos em comparação.

“Mais digital”

Embora os EUA sejam o país com mais riqueza – US$ 3,6 trilhões -, a Ásia-Pacífico conta com 831 bilionários, mais do que qualquer outra região, e representa 38% da população bilionária global. A fortuna combinada dos super-ricos aumentou 36%, para US$ 3,3 trilhões entre o início de abril e julho, o que adiciona 221 novos bilionários, sendo que 91% deles são mulheres, disseram os pesquisadores em conferência de imprensa.

O mundo pós-Covid será “mais endividado, mais digital e menos global”, disse Maximilian Kunkel, diretor de investimentos da unidade global de family office do UBS. “Todos esses pontos devem reforçar essas tendências nos últimos meses.”

O crescimento do patrimônio total foi acompanhado por um aumento dos esforços filantrópicos. Os mais ricos do mundo fizeram doações públicas de US$ 7,2 bilhões de março a junho, e talvez ainda mais de forma privada. Os doadores se concentram cada vez mais em resultados tangíveis, como redução da incidência de uma determinada doença, em vez de apenas a quantidade de dinheiro doado.

Os resultados abrangem mais de 2 mil bilionários em 43 mercados, que respondem por 98% do patrimônio bilionário, disseram o UBS e a PwC. Os pesquisadores também realizaram cerca de 60 entrevistas com ultrarricos.

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