Publicidade
SÃO PAULO – O sonho de toda instituição financeira que trabalha com financiamento é reduzir ao máximo os níveis de inadimplência em seus produtos, principalmente nos financiamentos ao varejo. Pensando nisto surge no mercado uma nova forma de financiamento que ataca o problema da inadimplência na sua raiz. Nos novos empréstimos já batizados de empréstimo consignação, as prestações do financiamento são descontadas diretamente do salário da pessoa.
Ainda não são muitos os bancos que trabalham com este tipo de financiamento, mas um número cada vez maior já estuda alternativas para entrar no segmento. Dentre as instituições que já atuam neste segmento estão a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Entretanto a Losango, uma das maiores financeiras do país, e o Bic Banco também já começam a atuar no segmento.
Redução da inadimplência permite juros mais baixos
Com isto os bancos conseguem reduzir a zero o risco de inadimplência, pois o pagamento das prestações é garantido pela empresa empregadora mesmo em caso de demissão do funcionário, ou seja, o pagamento é feito de forma automática através de débito na conta salário. Apesar de alguns bancos exigirem que os pagamentos dos salários sejam feitos através das suas agências isto nem sempre é necessário.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Do ponto de vista do consumidor a vantagem fica por conta da redução nos juros cobrados, já que como os bancos conseguem reduzir significativamente o risco de inadimplência é possível reduzir os juros cobrados ao consumidor. Para se ter uma idéia, enquanto um financiamento sem garantia da conta salário junto à Losango pode custar 8% ao mês, nos empréstimos em consignação os juros caem para 4-5% ao mês. O mesmo acontece com os empréstimos junto ao BB e a Caixa. No caso do BB os juros caem de 5% para 4%, enquanto no caso da Caixa a redução é menor, com os juros passando de 3,8% para 3,1% ao mês.
Mercado deve crescer em 2002
Ainda não existem estimativas sobre o volume de financiamentos deste tipo, mas estima-se que já devam responder por uma grande parcela do volume total de empréstimos pessoais concedidos. No final de 2001 o volume de empréstimos pessoais de acordo com o Banco Central era de R$ 23,3 bilhões, um crescimento de quase 42% frente ao volume no final de 2000.
A Caixa, por exemplo, já tem convênio com mais de duas mil empresas, sendo que em média cerca de 50 funcionários de cada uma delas já se beneficia da nova modalidade de financiamento, o que implica em mais de 100 mil contas abertas em função deste produto. A Caixa oferece o produto desde o início de 2000 e faz parte dos serviços incluídos no Convênio Caixa Trabalhador e a empresa precisa ter conta e folha de pagamento junto à Caixa. O prazo dos financiamentos é de 24 meses. As mesmas regras se aplicam aos financiamentos do BB, que atua no mercado há seis anos.
Continua depois da publicidade
Já no Bic Banco, uma das novas instituições a atuar no mercado, não é preciso que a empresa tenha conta no banco, mas é preciso que o empregado trabalhe na empresa por pelo menos um ano para ter acesso ao financiamento. O produto é chamado de CDC Empregador Bicbanco, sendo que o prazo de financiamento varia de acordo com contrato estabelecido com a empresa empregadora. Já no caso da financeira Losango os prazos são mais curtos de apenas 12 meses. A financeira estima que os novos empréstimos devem responder por cerca de 10% do volume de empréstimos pessoais a serem concedidos em 2002.