Financeiras podem aumentar juros até o final do ano

Presidente da Acrefi acredita que juros possam subir se Copom aumentar a Selic na reunião do dia 18/12; juros médios das financeiras estão em 12,87%

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SÃO PAULO – Apesar dos juros cobrados pelas financeiras estarem entre os mais elevados do mercado, o setor já estuda a possibilidade de promover novos aumentos, antes mesmo do final do ano. A afirmação é do presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimentos), Ricardo Malcon, que acredita que as taxas possam subir se houver uma maior procura por financiamentos, devido à chegada do Natal.

Segundo dados publicados pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), durante o mês de novembro as financeiras estavam cobrando uma taxa média de 12,89% ao mês, muito acima da taxa média cobrada nas operações de crédito ao consumidor em geral, que também segundo a Anefac, ficou em 8,39% naquele mês.

Juros podem subir em dezembro

Contrariando a recomendação da maioria dos analistas, o presidente da Acrefi, recomenda que os consumidores interessados em levantar financiamentos o façam agora, ao invés de esperar pela próxima semana.

Para ele, a maior parte dos consumidores só deve começar suas compras de Natal neste final de semana. O problema é que na próxima quarta-feira, dia 18/12, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar o novo patamar para a taxa de juros básica da economia. A taxa, que atualmente se encontra em 22% ao ano, pode vir a ser aumentada novamente, devido à alta da inflação, o que acabaria refletindo nos juros cobrados nas operações de crédito ao consumidor.

Esta pelo menos é a opinião do presidente da Acrefi, que aposta em um novo aumento dos juros na reunião deste mês do Copom, mas não se arrisca a dar qualquer palpite. Para ele, o aumento nas vendas ao varejo nas primeiras semanas do mês, e a manutenção das primeiras prévias de inflação de dezembro em patamares elevados justificariam a decisão.

Setor deve crescer 10% em 2002

Apesar do alto patamar dos juros, muitos consumidores não querem abrir mão de comprar no Natal, de forma que um levantamento feito entre as financeiras aponta para um aumento na procura por crédito nesta época do ano.

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Segundo estimativas da Acrefi, a carteira de créditos ao consumidor com juros pré-fixados deve fechar o ano com um crescimento nominal de cerca 10%, bem menos do que inicialmente previsto pela Associação, que esperava um crescimento de cerca 14%. Nos últimos 12 meses terminados em outubro deste ano, o crescimento da carteira de crédito do setor foi de 11,7%, com cerca de R$ 60,17 bilhões.

Contudo, em termos reais, isto é, descontada a variação da inflação, o crescimento do setor deve ser bastante pequeno, podendo inclusive ser negativo, uma vez que, segundo o relatório Focus do Banco Central, a inflação medida pelo IPC deve fechar o ano em 9,3%, enquanto a medida pelo IPCA deve ficar em 11,7%. As projeções do relatório se baseiam nas estimativas de cerca de 100 analistas de mercado.

Repasses foram abusivos

O fraco desempenho no ano teria sido decorrência da queda na procura de financiamentos entre agosto e outubro, período marcado pelas incertezas com o processo eleitoral, que teria resultado na disparada do dólar, da inflação e, conseqüentemente, aumento dos juros.

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Vale lembrar que desde final de setembro os juros básicos da economia subiram de 18% ao ano para os atuais 22% ao ano. Neste mesmo período, as taxas cobradas pelas financeiras subiram de 12,43% ao mês para 12,87% ao mês, passando de 307% ao ano para 327% ao ano, de forma que as financeiras repassaram para o consumidor um aumento maior do que o praticado pelo Banco Central, o que também teria contribuído para a menor procura por financiamentos.