Financeiras devem subir juros, em resposta ao Copom

Presidente da Acrefi acredita que juros devem subir em média de 10% a 12%; juros médios estão em 12,87% segundo Anefac e poderia subir para 14,4%

Publicidade

SÃO PAULO – Se por um lado os comerciantes anunciaram que pretendem evitar qualquer ajuste na tabela de juros dos crediários, mesmo depois da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), pois temem prejudicar as vendas no Final do Ano, o mesmo não vale para as financeiras.

Nesta quarta-feira, dia 18, o Copom elevou a taxa básica de juros da economia de 22% ao ano para 25% ao ano, o que em termos de taxa mensal implica em um aumento de 0,25%. Depois de cair para 18% ao ano, os juros básicos da economia têm subido consistentemente nos últimos três meses como forma de coibir a alta da inflação. A medida parece estar dando resultado, visto que a inflação, apesar de alta, começa a dar sinais de desaceleração.

Financeiras devem subir juros

Os juros cobrados pelas financeiras já estão entre os mais altos do mercado. Segundo levantamento da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Administração, Finanças e Contabilidade) a taxa média de juros cobradas pelas financeiras em novembro estava em 12,87% ao mês, o que equivale a uma taxa anual de 327%!

Ainda assim, o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon, acredita que os juros devam ser aumentados entre 10% e 12% nos próximos dias. Isto significa que os juros devem subir de 12,87% para 14% a 14,5% ao mês.

No que refere aos financiamentos de veículos, Malcon acredita em um aumento da taxa média de 3,65% ao mês para cerca de 4% ao mês, enquanto os juros dos financiamentos de bens duráveis devem subir de 6,8% ao mês e deverá subir para 7,4%.

Remédio amargo, mas esperado

Apesar de reconhecer que o remédio apesar de amargo era necessário, o presidente da Acrefi afirma que a decisão de aumentar a taxa Selic certamente deve prejudicar os negócios do setor neste final de ano. Contudo, lembra que o aumento nada mais fez do que transferir para os juros básicos, o aumento da inflação nos últimos meses.

Continua depois da publicidade

Segundo ele, ainda é cedo para prever o que deve acontecer no primeiro trimestre do próximo ano, antes de se saber maiores detalhes da política econômica do próximo governo. Malcon lembra que Lula em sua campanha eleitoral prometeu medidas que incentivassem a geração de empregos, o que certamente implica em redução dos juros.

Por sua vez, o futuro ministro da Fazenda, Antonio Palocci, já anunciou que terá como prioridade o ajuste fiscal, mensagem reforçada pelo próximo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, contradizendo as afirmações de Lula. Agora resta apenas esperar para ver o que acontece. Com os juros em patamares tão altos, fica até mais fácil para o próximo governo baixar os juros, ao que tudo indica o governo atual pode ter facilitado o trabalho do próximo governo ao adotar hoje as medidas impopulares, que Lula teria que adotar no início do governo.