Financeiras apostam em expansão de 25% em 2003

Com cerca de R$ 24,1 bilhões em empréstimos pessoais em 2002, financeiras atraem cada vez mais clientes em função da rapidez e qualidade de atendimento

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SÃO PAULO – Com base em dados divulgados pelo Banco Central, no final do ano passado o volume de operações de crédito pessoal alcançou um volume de R$ 24,6 bilhões, dos quais estima-se que 98% tenham sido concedidos pelas financeiras do país, que respondem por R$ 24,1 bilhões em créditos concedidos.

Apesar das projeções do último relatório semanal do Banco Central apontarem para um crescimento de 2% no Produto Interno Bruto, a Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento) acredita que o volume de concessões de empréstimos pessoais deve aumentar em cerca de 25%.

Segredo do sucesso

A forte participação das financeiras no volume de créditos concedidos no ano passado se deve a pouca burocracia envolvida na obtenção do empréstimo. Atualmente é possível obter empréstimos a partir de uma renda mensal de cerca R$ 150, bastando para isto apresentar documento de carro, ou um comprovante de pagamento em dia de outro empréstimo para conseguir a aprovação do empréstimo.

A rapidez na aprovação do crédito somente é possível graças ao forte investimento em tecnologia que as financeiras fizeram nos últimos anos, permitindo que a análise de crédito seja feita rapidamente. Este é o caso, por exemplo, da Fininvest, comprada pelo Unibanco em 1999 que, depois de fortes investimentos em tecnologia, já é capaz de efetuar o cruzamento de dados do interessado em levantar o financiamento rapidamente.

Outra razão por trás do sucesso das financeiras é a melhor qualidade dos serviços oferecidos para a população de baixa renda, ou seja, as pessoas com rendimento abaixo de R$ 500. Ao contrário das enormes filas comuns nas agências bancárias, quem visita uma financeira raramente demora mais do que 20 minutos, isto sem falar no fato de que o atendimento oferecido ao cliente é bem mais agradável.

Apostando na fidelidade da clientela

Mas um dos fatores importantes para os interessados em levantar financiamentos é que as financeiras como não oferecem outros serviços, não condicionam o empréstimo à abertura de conta corrente, o que facilita o relacionamento com o cliente, que recebe aquilo que quer: dinheiro emprestado sem burocracia.

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A estratégia de marketing das financeiras muitas vezes é bastante agressiva, com as pessoas sendo abordadas na rua por funcionários das financeiras, que explicam aos passantes as vantagens de obter um empréstimo pessoal. Como sempre é possível encontrar alguém que esteja endividado, ou que, tenha um sonho de consumo que queira realizar a estratégia acaba sendo bem sucedida em atrair novos clientes.

Além disto, muitas financeiras estão apostando no aumento da fidelidade da clientela através da oferta de cartões magnéticos no primeiro contato com o cliente, que pode sacar com o cartão o valor do crédito aprovado que não foi sacado. Assim quem obteve um empréstimo de R$ 2 mil, mas sacou apenas R$ 700 pode sacar outros R$ 1,3 mil com o cartão. A fidelidade em alguns casos é paga com a oferta de juros decrescentes nos novos empréstimos levantados junto à financeira.

Custo mais alto

Em parte, a maior facilidade na concessão de empréstimos também pode ser explicada pelos altos juros cobrados pelas financeiras. Para se ter uma idéia, dados da Anefac para dezembro apontam uma taxa média de juros cobrada pelas financeiras nos empréstimos pessoais era de 12,79% ao mês frente a uma taxa de 5,39% ao mês dos bancos.

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O fato das taxas cobradas pelas financeiras serem, em média, duas vezes maiores do que as dos bancos, mais do que compensa o maior risco de inadimplência da carteira de créditos das financeiras. Desta forma, as pessoas que pagam em dia seus empréstimos acabam pagando pelos inadimplentes.

Apesar da maioria das financeiras anunciar que oferece taxas entre 9,9% e 14% ao mês, dependendo do perfil da pessoa interessada em levantar o empréstimo, a taxa pode chegar a 18% ao mês. As taxas mais baixas somente são oferecidas para clientes fiéis, que já levantaram empréstimos e pagaram em dia. Apesar do otimismo do setor no potencial de crescimento neste ano, a Acrefi está mais cautelosa, pois acredita que estas taxas só possam ser atingidas em caso de redução da taxa de juros básica da economia, o que pode demorar mais do que se imagina.